Levando um fogão no porta-malas do carro, panelas grandes e um tempero aprendido em família, Paulo Cézar Barbosa, de 51 anos, o Paulo Sem Terra, tem conquistado quem passa pelas feiras livres de Campo Grande. Há cerca de dois meses, ele decidiu transformar um dom antigo em trabalho fixo e passou a cozinhar comida raiz e bem feita, preparada ali mesmo, no meio da feira. O cenário chama atenção. No fim da tarde, Paulo monta o fogão no meio da feira, organiza os ingredientes e começa a cozinhar. O cheiro logo se espalha. Na sexta-feira (19), quando conversou com a equipe do Lado B, o prato servido foi dobradinha com arroz branco, arroz carreteiro e uma macarronada “daquele modelo”, como ele define. No cardápio, os pratos remetem à comida de casa. Tem dobradinha, arroz carreteiro, carne de panela, costela, mocotó, tudo feito na hora, diante do público. Os preços também seguem a proposta simples e acessível. “Varia de R$ 25 a R$ 30 a porção bem servida na marmitex”, explica. A aceitação tem sido tanta que alguns clientes chegam cedo para garantir o prato preferido. “Tem gente que pede pra eu guardar pra pessoa vir buscar’”, conta. Paulo cozinha nas feiras da Copa Vila 2, Parque do Sol e Rita Vieira, em diferentes dias da semana. Ele chega sempre no fim da tarde, por volta das 16h30. “Eu tô gostando demais dessa vida das feiras. O povo interage comigo, conversa, brinca, pergunta da comida. É bom demais”, comenta. Com carisma pra dar e vender, Paulo também fez da nova rotina um motivo para entrar de cabeça nas redes sociais. Em toda feira, ele produz vídeos divertidos e espontâneos apresentando o cardápio do dia. Só no TikTok, já são quase 70 mil curtidas. Apesar de recente nas feiras, o cozinheiro lembra que a relação dele com a cozinha é antiga. “Desde pequeno eu sempre fui bom de cozinhar, de fazer qualquer tipo de comida”, lembra. Antes, ele trabalhava com eletrônica, mas começou a perceber o crescimento da gastronomia na cidade e decidiu apostar no que sempre soube fazer. “Eu decidi que ia levar umas comidas caseiras para a feira. E comecei devagarzinho”, relata. Segundo ele, a base do tempero vem da família. Nascido no Paraná, Paulo Sem Terra é filho de pai baiano e mãe sergipana. “Essas comidas arretadas e o tempero nordestino vêm de casa. A impressão do sabor vem deles. Eu sempre me dediquei a aprender qual tempero combina com cada prato”, afirma. Em casa, ele divide a cozinha com a esposa, Elza, com quem teve cinco filhos. Entre os clientes, o arroz carreteiro e a dobradinha viraram o carro-chefe. “Eu sou fã da dobradinha mesmo. Pode estar calor, pode estar frio, sempre tem público”, garante. De acordo com o cozinheiro, o preparo exige técnica e paciência. O bucho chega cortado do açougue, passa por fervuras, descanso, tempero e leva horas até ficar no ponto. “Tem que tirar o cheiro, deixar no jeito. Tem segredo, tem técnica”, explica. Mesmo com toda essa dedicação, Paulo mantém os pés no chão e o sorriso no rosto. Ele faz vídeos para as redes sociais, divulga os pratos e comemora cada elogio. “O povo fala que a comida do Sem Terra é dez. E isso motiva demais”, revela. Quem passa pelas feiras encontra sempre um prato diferente e farto. Também encontra conversa, risada e aquele sabor que remete à comida de verdade. “É comida raiz, comida verdadeira. Daquela que você come e dá sustança mesmo”, resume Paulo Sem Terra. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .