De cidade esquecida no canto sudoeste de Mato Grosso do Sul, no Baixo Pantanal, a mais de 400 quilômetros de Campo Grande, Porto Murtinho vislumbra um cenário diferente com a concretização da Rota Bioceânica. Ela será a ligação do Brasil ao caminho que promete encurtar distâncias e fretes com mercados asiáticos e integrar moradores do país com o Paraguai, Argentina e Chile. O prefeito, Nelson Cintra (PSDB), conversou com o Podcast Na íntegra e contou os passos que estão em curso para esse movimento que surgirá quando o corredor bioceânico estiver pronto. A passagem não deve mudar o perfil somente da região sul-mato-grossense, mas também do próprio Estado, que deve se tornar estratégico para logística e armazenagem de produtos, e as regiões mais isoladas dos países vizinhos. O Chaco paraguaio, por exemplo, está sendo atravessado por uma estrada, que é o ponto que falta receber pavimentação. Uma região árida, com pouca chuva, o que acabou prejudicando o desenvolvimento e igualmente há expectativa de que o trânsito de veículos, produtos e pessoas mude o perfil. Até então, havia só estradas de terra para acesso a fazendas, como lembra o prefeito. O avanço importante foi a ponte que está sendo custeada pela Itaipu e, em breve, permitirá a travessia do Rio Paraguai. No lado brasileiro, as obras são desafiadoras porque o acesso exige a passagem de trechos pantanosos, com muitas pontes até chegar à cabeceira para travessia do rio. Eu digo sempre, se não fosse o Paraguai, não teria Corredor Bioceânico. Eles estão investindo US$ 1 bilhão em 700 quilômetros de asfalto dentro do Chaco. Entusiasta e envolvido nos debates sobre o caminho com estradas entre o Oceano Atlântico e o Pacífico há cerca de 30 anos, Cintra conta que a localização da ponte foi definida em uma reunião na fazenda que ele tem na fronteira. Há uma articulação entre autoridades e moradores e muita expectativa das comunidades no trajeto, assim como a preocupação de que as estradas estejam prontas e a burocracia, como acordos e serviços aduaneiros, deslanche. Quem usar o corredor vai ser muito mais competitivo. O ponto de travessia fica distante do perímetro urbano de Porto Murtinho, mas a cidade vai mudar com o tempo, direcionando o eixo de expansão para se aproximar do caminho e atrair as pessoas que passarem. Um plano diretor está em elaboração para planejar o crescimento. Murtinho tem cerca de 12,8 mil habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e o prefeito acredita que a população pode triplicar após o uso do caminho. Cintra diz que uma ampla avenida será o convite para que os viajantes entrem na cidade, que promete ser aconchegante. A cidade está em obra. Nós vamos deixar a cidade linda. Vamos fazer uma cidade aconchegante. Já há algum movimento de curiosos para percorrer a Rota, mesmo que inacabada, como grupos de motociclistas, e empresários sondam e compram áreas para instalação de entrepostos de cargas. Cintra conta que ampliação de escola, serviços de saúde, praças e pavimentação estão entre as obras, que são feitas com ajuda dos orçamentos da União e do Estado.