Não “delicadizem” a poesia de Gil de Carvalho: a sua sensibilidade alimenta-se da esplêndida crueldade animal
Foi agora, na tarde fria de dezembro. Estava ali o Gil, deitado na urna, os fúnebres panejamentos alvos a combinarem com a sua tão bem aparada barba branca. Mão hesitante, afaguei-lhe a testa: um gelo antártico onde em vida estava o fogo de um vulcão. E assim, dedos no crânio, nos despedimos