Cerca de 40 venezuelanos se reuniram no fim da tarde de domingo (4) para protestar e celebrar a prisão de Nicolás Maduro. O grupo ocupou a Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, após a ação dos Estados Unidos anunciada no sábado (3). Os participantes defenderam a transição política e relataram apreensão com a permanência de integrantes do antigo regime na Venezuela. A mobilização ocorreu um dia depois de outro encontro da comunidade venezuelana na Capital. Pela manhã, imigrantes relataram dificuldade de comunicação com familiares e incerteza sobre os próximos desdobramentos. À tarde, o ato ganhou tom mais político e concentrou críticas diretas ao antigo governo. No sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), anunciou um ataque em larga escala à Venezuela. A ofensiva atingiu Caracas e outras cidades por via aérea e terrestre. Trump afirmou que Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país. Presidente da Associação Venezuelana em Campo Grande, Mirta Carpio, de 53 anos, afirmou que a prisão representou um alívio para a comunidade. “Era algo que precisava acontecer porque Maduro atuava como um ditador”, disse. Ela citou prisões por motivos políticos, repressão e restrições à liberdade de expressão. Mirta afirmou que o sofrimento do país se estende por décadas. “O povo enfrenta fome, falta de medicamentos e perseguição há mais de 27 anos”, afirmou. Segundo ela, apenas nos últimos 12 anos a repressão se intensificou. Para a presidente da associação, o momento ainda exige cautela. “Estamos celebrando a primeira etapa, mas a transição não terminou”, disse. Ela explicou que a vice-presidente Delcy Rodríguez permanece no país para evitar maior instabilidade. Venezuelano há sete anos em Campo Grande, Francisco José Motaban, de 47 anos, afirmou que a captura de Maduro trouxe esperança. “Vivemos muito tempo sem liberdade e sob intimidação”, declarou. Segundo ele, qualquer crítica ao regime resultava em prisões e acusações falsas. Motaban contestou o foco internacional nas riquezas do país. “Sempre falam do petróleo, mas esquecem do potencial humano”, afirmou. Ele disse que esse potencial hoje está espalhado pelo mundo, inclusive em Campo Grande. Operador de máquina, Darwin Berbin, de 32 anos, destacou que o medo ainda domina quem ficou na Venezuela. “O povo não saiu às ruas porque parte do regime ainda está lá,” disse. Segundo ele, há receio de represálias contra civis. Darwin afirmou que acompanha as notícias com cautela. “Tiraram o ditador, mas o regime não acabou”, declarou. Ele espera novas ações para encerrar o controle de aliados do antigo governo. Funcionário de frigorífico, José Manoel Ramos, de 24 anos, disse que deixou o país quando a situação se agravou. “A gente saiu porque tudo estava ficando ruim”, afirmou. Ele disse esperar mudanças econômicas e políticas. José Manoel defendeu a realização de eleições. “Com certeza precisamos votar de novo”, disse. Para ele, a Venezuela só retomará estabilidade com um governo escolhido pelo povo.