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Estudo inédito aponta que placas de travessia de fauna pouco reduzem acidentes

Placas tradicionais de travessia de fauna, comuns em rodovias brasileiras, têm efeito limitado na redução da velocidade dos veículos e pouco contribuem para evitar colisões com animais silvestres. A constatação é de um estudo inédito publicado no Journal of Environmental Management, que analisou o comportamento real de motoristas diante de diferentes modelos de sinalização, inclusive em trechos críticos como a BR-262, em Mato Grosso do Sul. A pesquisa foi conduzida por especialistas do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo), da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e de instituições internacionais. Ao longo de 18 dias, foram realizadas mais de 5,3 mil medições de velocidade de carros, SUVs e caminhões, em diferentes horários e pontos antes e depois da instalação das placas. O objetivo foi avaliar, na prática, se a sinalização altera a condução dos motoristas. Tipos de placas -  Os pesquisadores testaram quatro tipos de placas: educativas, padrão, de controle e aquelas com mensagens diretas de comunicação de risco. De acordo com a pesquisadora Mariana Catapani, uma das autoras do estudo, apenas as placas com mensagens explícitas, como “Animais na pista, reduza a velocidade”, provocaram alguma desaceleração. Ainda assim, o efeito foi considerado mínimo e restrito a poucos metros após a sinalização. Segundo Mariana, a redução é pequena e “praticamente não melhora a capacidade de reação do motorista diante de um animal na pista. Na prática, placas isoladas dificilmente evitariam acidentes”, explicou Mariana. O estudo também identificou que muitos condutores retomam a velocidade logo após passar pela placa, em alguns casos acelerando além do ritmo anterior. Rodovia crítica - A BR-262, que liga Campo Grande ao Pantanal, aparece como um dos trechos mais críticos do país quando o assunto é atropelamento de animais. Espécies como tamanduá-bandeira, anta, capivara e jacaré estão entre as mais atingidas, evidenciando o impacto da rodovia sobre a biodiversidade e o risco constante para quem trafega pelo local. Segundo Arnaud Desbiez, presidente do ICAS, um monitoramento realizado pelo Instituto entre maio de 2023 e abril de 2024, no trecho entre Campo Grande e a Ponte do Rio Paraguai, em Corumbá, registrou 2.300 animais mortos ao longo de cerca de 350 quilômetros.  Além das perdas ambientais, as colisões com animais representam um perigo real para a vida humana, sobretudo em trechos com intenso tráfego de caminhões de grande porte. Nova sinalização -  Os resultados indicaram que mensagens diretas de risco são as que mais conseguem gerar atenção imediata. Essa constatação orientou o desenvolvimento do novo modelo de sinalização, instalado em novembro de 2024 pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) na BR-262. Com imagem mais impactante, que simula uma colisão com animal, a proposta é ampliar a percepção de perigo e manter a atenção do motorista por mais tempo. “Se as placas vão continuar existindo, elas precisam evoluir. Sinais visualmente fortes e com comunicação direta de risco tendem a ser mais eficazes”, destacou Mariana.  Placas são insuficientes -  O artigo conclui que as placas não substituem medidas estruturais já comprovadas. Entre elas estão cercas direcionadoras, passagens inferiores e superiores para fauna, radares, redutores de velocidade e campanhas educativas permanentes. “O recado é claro: só sinalizar não resolve. A proteção da fauna e das pessoas exige a combinação de engenharia, fiscalização e comunicação”, reforçou a pesquisadora. Cerca nas rodovias - Em 2025, a BR-262 começou a receber as primeiras cercas ao longo da rodovia. A iniciativa faz parte de um plano de mitigação que será implantado em um trecho de 278 quilômetros, entre Anastácio, Aquidauana, Miranda e Corumbá. O projeto prevê 170 quilômetros de cerca condutora de fauna, sete passagens superiores, dez novas passagens inferiores e a adequação de outras oito já existentes, além de sinalização específica e equipamentos redutores de velocidade. Segundo o DNIT, o investimento estimado é de R$ 30 milhões, com prazo de execução de 730 dias. A medida é considerada um avanço importante para reduzir os atropelamentos de fauna e aumentar a segurança de motoristas em um dos corredores rodoviários mais sensíveis do Estado. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .

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