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Pontes em Goiás apresentam estruturas envelhecidas e falta de manutenção

As pontes que cortam Goiás — espalhadas por rodovias federais, estaduais e pela malha urbana de Goiânia, entraram definitivamente no radar das autoridades, especialistas e usuários. O alerta ganhou força após a tragédia registrada no Maranhão, com o colapso da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, sobre o Rio Tocantins, episódio que reacendeu o debate nacional sobre a segurança das obras de arte especiais no Brasil e evidenciou fragilidades acumuladas ao longo de décadas.

Em Goiás, dados técnicos, relatos de moradores, ações judiciais, programas de manutenção e posicionamentos de concessionárias revelam um cenário complexo: estruturas antigas submetidas a cargas muito superiores às previstas em seus projetos originais, ausência histórica de manutenção preventiva, iniciativas recentes de recuperação e uma corrida contra o tempo para evitar que sinais de deterioração se transformem em tragédias anunciadas.

Estruturas históricas e o peso do tempo

Uma das pontes que simbolizam esse desafio é a Ponte Affonso Penna, localizada entre os municípios de Itumbiara (GO) e Araporã (MG). Inaugurada entre 1908 e 1909 e tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a ponte pênsil de cerca de 140 metros de extensão já não suporta tráfego pesado e opera sob severas restrições.

Ponte Affonso Penna. | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Moradores relatam insegurança constante ao atravessar a estrutura, que apresenta deterioração de pilares, corrosão do concreto, fissuras e desgaste do pavimento. Embora a administração municipal tenha anunciado licitação para a reforma, o início das obras depende de autorização do Iphan, o que tem retardado intervenções mais profundas. O contraste entre o valor histórico da ponte e sua fragilidade estrutural expõe um dilema recorrente: preservar o patrimônio sem comprometer a segurança pública.

Goinfra executa obras em mais de 200 pontes de concreto em Goiás

A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) informou ao Jornal Opção que já executou obras em mais de 200 pontes de concreto em rodovias estaduais de Goiás. Os trabalhos incluem a substituição de antigas estruturas de madeira e a implantação de novas travessias, com o objetivo de ampliar a segurança e a durabilidade da malha viária.

De acordo com a agência, o trabalho de monitoramento, manutenção e modernização das pontes é permanente e abrange todas as regiões do Estado. Atualmente, 40 equipes atuam de forma contínua em vistorias técnicas, serviços de manutenção rotineira e no planejamento de intervenções estruturais, que podem envolver melhorias funcionais, restaurações ou substituições completas das estruturas, conforme a necessidade.

Em 2025, a Goinfra também ampliou sua atuação na infraestrutura municipal por meio do programa Goiás em Movimento Estruturas. A iniciativa é voltada à substituição de estruturas consideradas ineficientes por novas obras de arte correntes, como bueiros, em vias municipais. Ao todo, 137 estruturas já foram contratadas, sendo 59 em execução, beneficiando dezenas de municípios goianos. Novos convênios ainda estão em fase de andamento.

Ponte sobre o Rio Verdão, entre os municípios de Maurilândia e Turvelândia, no Sudoeste do Estado l Foto: Goinfra

Em relação ao quantitativo total de pontes, a agência informou que está na fase final do levantamento técnico das obras de arte especiais — que incluem pontes, viadutos e bueiros celulares — ao longo dos mais de 21 mil quilômetros da malha rodoviária estadual. O diagnóstico considera as intervenções realizadas em 2025 e tem previsão de conclusão para o primeiro trimestre de 2026.

As ações, segundo a Goinfra, fazem parte de uma política permanente de gestão da infraestrutura viária, baseada em planejamento técnico, investimentos contínuos e foco na prevenção de riscos, na segurança dos usuários e no desenvolvimento regional.

Rodovias estaduais e o desafio das pontes de madeira

Nas rodovias estaduais, o cenário é igualmente desafiador. Levantamentos técnicos e reportagens apontam desgaste acentuado em diversas pontes das GO’s, agravado pelo tráfego pesado, sobretudo durante o período de escoamento da safra.

Casos como o colapso de pontes de madeira sobre o Rio do Peixe, em Crixás, e sobre o Córrego Água Fria, em Caiapônia, evidenciam a vulnerabilidade dessas estruturas. Em resposta, o Governo de Goiás lançou, em 2024, o Programa Goiás em Movimento – Eixo Pontes, com investimento de R$ 200 milhões para substituir cerca de 500 pontes de madeira por estruturas de concreto em todos os 246 municípios.

“O programa não faz distinção do tamanho da estrutura que será substituída. Será o maior impulso que o estado já viu nas obras de pontes”, afirmou o governador Ronaldo Caiado.

Ponte sobre o Rio Paranã, na rodovia GO-484, em Formosa, no Entorno do Distrito Federal l Foto: Goinfra

Goiânia: deterioração urbana em números

Na capital, o quadro é ainda mais preocupante. Levantamento técnico realizado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-GO) e o Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Goiás (IBAPE-GO), avaliou 66 pontes e viadutos de Goiânia com base na ABNT NBR 9452:2019. O estudo apontou que cerca de 83% das estruturas apresentam algum grau de deterioração, incluindo corrosão de armaduras, infiltrações, fissuras e falhas nos sistemas de drenagem.

A vice-presidente do CREA-GO, engenheira civil Juliana Matos, afirmou que a principal causa é a ausência de manutenção preventiva. “O levantamento mais recente aponta que 79% das estruturas têm falhas graves de drenagem, 70% apresentam lixiviação do concreto e 62% corrosão de armaduras”, explicou.

Segundo ela, a água é o principal agente de degradação. “Enquanto não há drenagem adequada, a estrutura começa a adoecer. As pontes precisam de inspeções regulares, assim como o corpo humano precisa de exames”, comparou.

Detalhe das fundações da ponte da Av. T-63 l Foto: Crea/GO

Dentre os casos mais preocupantes estão a ponte da Avenida T-63 sobre o Córrego Cascavel e a ponte da Rua Dr. Constâncio Gomes sobre o Córrego Botafogo — ambas com desgaste severo que compromete a estabilidade das estruturas.

Engenheiros envolvidos no levantamento ressaltam que a falta de manutenção preventiva e políticas públicas efetivas agrava o desgaste e pode encarecer futuras intervenções. Segundo técnicos, a vida útil mínima projetada das pontes é de 50 anos, mas sem conservação adequada algumas estruturas podem se tornar perigosas muito antes disso.

O diagnóstico técnico também frisa que a deterioração impacta diretamente na segurança, mobilidade urbana e economia local, e defende a adoção de um plano contínuo de vistorias e intervenções.

O relatório embasou uma ação do Ministério Público de Goiás, que obteve liminar determinando obras emergenciais em quatro pontes críticas.

A Procuradoria-Geral do Município informou à reportagem que vai recorrer da decisão, mas afirmou que já havia iniciado a contratação de empresa especializada para elaborar os projetos de recuperação.

Vista geral da ponte da Rua Dr. Constâncio Gomes sobre o córrego Botafogo l Foto: Crea/GO

Confira a lista das dez pontes mais críticas apontadas no relatório:

  1. Ponte da Avenida T-63 sobre o Córrego Cascavel
  2. Ponte da Rua Doutor Constâncio Gomes sobre o Córrego Botafogo
  3. Ponte da Avenida Universitária sobre o Córrego Botafogo
  4. Ponte da Avenida 24 de Outubro sobre o Córrego Cascavel
  5. Ponte da Rua José Hermano sobre o Ribeirão Anicuns
  6. Ponte da Avenida Perimetral Norte sobre o Ribeirão João Leite
  7. Ponte da Avenida T-9 sobre o Córrego Cascavel
  8. Ponte da Avenida Presidente Kennedy sobre o Ribeirão João Leite
  9. Ponte da Avenida Marechal Rondon sobre o Ribeirão Anicuns
  10. Ponte da Avenida das Pirâmides sobre o Córrego Água Branca

Alerta técnico na BR-153: a ponte sobre o Rio das Almas

Entre as estruturas que mais preocupam especialistas está a ponte de aproximadamente 360 metros sobre o Rio das Almas, na BR-153, entre Nova Glória e o distrito de Jardim Paulista. O engenheiro civil Rodrigo Carvalho da Mata, formado pela PUC-GO, mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutor em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP), analisou a situação em entrevista ao Jornal Opção.

Engenheiro civil Rodrigo Carvalho da Mata | Foto: Acervo pessoal

Com mais de 50 projetos de pontes em seu portfólio, o especialista chamou atenção para a idade da estrutura e para os critérios de dimensionamento adotados à época de sua construção. “Essa ponte foi construída na década de 1960, seguindo normas semelhantes às da ponte que desabou na divisa do Tocantins com o Maranhão”, afirmou. Segundo ele, há avarias importantes que exigem atenção contínua. “Essa ponte tem problemas parecidos com a que desabou”, alertou.

Rodrigo explicou que as normas técnicas da década de 1960 previam um veículo-padrão de 32 toneladas, enquanto atualmente o parâmetro normativo chega a 45 toneladas. “Essas pontes antigas precisam passar por reabilitações por causa dessas mudanças no carregamento”, frisou.

O engenheiro também lembrou que, em 2017, um decreto federal passou a permitir caminhões de até 94 toneladas em determinados trechos rodoviários, além de ampliar a tolerância ao excesso de carga. “Na época em que essas pontes foram projetadas, não se imaginava que caminhões com esse peso circulariam com tanta frequência”, destacou.

Sobre o risco de colapso, ele ponderou: “Não estamos dizendo que a ponte vai cair amanhã, mas ela precisa ser inspecionada e monitorada constantemente. Sem balanças, sem controle de carga e sem um plano de manutenção, o risco aumenta. Se nada for feito, o susto pode ser muito maior”.

Imagem mostra avarias na parte central da ponte l Foto: Rodrigo da Mata

Concessionárias e planos de reforço estrutural

Responsável pela BR-060, entre Goiânia – Rio Verde e pela BR-452, no trecho entre Rio Verde e Itumbiara, a Concessionária Rota Verde Goiás administra 62 obras de arte especiais, entre pontes, viadutos e passarelas — 45 na BR-060 e 17 na BR-452. Segundo a empresa, parte dessas estruturas foi construída durante a duplicação das rodovias, entre 2010 e 2013, enquanto outras datam da década de 1960 e exigem intervenções específicas.

A concessionária informou que já realizou a recuperação da ponte sobre o Rio Capivari, na BR-060, permitindo a liberação de pista anteriormente interditada, além de melhorias na ponte sobre o Córrego do Sapo, no km 385 da rodovia. Entre o terceiro e o sexto ano do contrato de concessão, está prevista a intervenção estrutural em sete pontes antigas da BR-060, com reforço e alargamento para adequação às normas atuais de carga e segurança.

Ponte sobre o Rio Capivari, na BR 060 | Foto: Rota Verde

Na BR-452, o plano inclui a construção de duas novas pontes, implantação de um dispositivo de acesso tipo “trombeta” e a restauração de 16 estruturas existentes, também com reforço e alargamento. A concessionária está em fase de contratação de empresas especializadas para sondagens técnicas, que subsidiarão os projetos executivos.

Já a Ecovias Araguaia, responsável pelas BRs 153, 414 e 080, informou que realiza avaliações técnicas anuais em todas as pontes e viadutos sob sua concessão. Em relação à ponte sobre o Rio das Almas, a empresa afirmou que a estrutura “se mantém em condições seguras” e é constantemente monitorada. O contrato de concessão prevê, durante a duplicação do trecho, o reforço e o alargamento da ponte existente, além da construção de uma segunda estrutura.

Rachadura no meio da ponte, sobre o Rio das Almas l Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

A Triunfo Concebra, por sua vez, declarou que realiza inspeções periódicas nas obras de arte especiais sob sua responsabilidade, conforme as normativas vigentes, mantendo ações de conservação e manutenção preventiva. Em Goiás, são 28 pontes no total, sendo 16 na BR-060/GO e 12 na BR-153/GO.

O papel do DNIT nas rodovias federais

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que administra atualmente 114 pontes em Goiás, número que pode variar conforme concessões ou delegações de trechos rodoviários. A autarquia atua por meio do Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas (PROARTE), voltado à prevenção de danos estruturais em pontes, viadutos, túneis e passarelas.

Segundo o DNIT, das 149 obras federais existentes no estado, 40 estão contempladas em contratos de manutenção em vigor; outras 50 já tiveram os serviços concluídos; nove possuem contratos de reabilitação; e duas já passaram por reabilitação completa. As demais estão em fase de elaboração de projetos.

Entre as intervenções em andamento, o órgão destacou a reabilitação da ponte sobre o Rio Claro, na BR-364, em Jataí; os serviços remanescentes nos acessos da ponte sobre o Rio Araguaia, na BR-080, em Luiz Alves; e a duplicação da ponte sobre o Rio Paranaíba, na BR-153, em Itumbiara, atualmente em fase de contratação.

Ponte Ciro de Almeida, na BR 153, em Itumbiara | Foto: Reprodução

Prevenção como política pública

Para especialistas, a lição deixada por tragédias recentes é clara: pontes não colapsam sem aviso. “As estruturas dão sinais ao longo do tempo. A engenharia trabalha com prevenção, não com reação. É isso que salva vidas”, reforçou Juliana Matos

Entre programas federais, investimentos estaduais, cooperações interestaduais e ações judiciais, Goiás avança, ainda que de forma desigual, para enfrentar um passivo histórico. O desafio agora é transformar inspeções e manutenções em política pública permanente — antes que o limite das travessias seja ultrapassado.

Leia também:

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