No cartão de visita que Jorge Luís Taira Macedo entrega aos clientes que entram no carro, ele se descreve como “chofer”. A palavra, embora antiga, de fato reflete o serviço. Mas não por ter muita coisa no veículo, banco diferente ou mimo espalhado pelo painel. O motorista sustenta o título por oferecer o necessário e inesperado para momentos de desespero: carregadores. Quem nunca entrou numa corrida com o celular desistindo de viver,em 2%? À noite, então, o pedido vira quase súplica. “Moço, tem como colocar pra carregar?” Foi ouvindo essa frase repetidas vezes que ele decidiu que não ia mais improvisar. Ele começou em dezembro de 2017, ainda com carro alugado. Pegou um Fiat Argo e se jogou no aplicativo. Em fevereiro de 2018, passou a trabalhar apenas com as corridas. Depois financiou o primeiro veículo próprio, um Ford Ka 2017. Em 2022, veio o Nissan Versa. A evolução foi acontecendo no ritmo das corridas, uma conquista de cada vez. Mas a ideia que virou diferencial nasceu do incômodo. “Principalmente à noite, o passageiro entrava e eu tinha que tirar o meu carregador, colocar o dele, trocar cabo”, lembra. Até que um dia, navegando pelas redes sociais, apareceu o anúncio de uma tomada veicular, parecida com aquelas de ônibus de viagem. “Achei genial.” Ele foi atrás, comprou e mandou instalar. Os cabos também vieram depois. Ele comprou, organizou e prendeu com enforca-gato para não sumirem. Deixou ali, fixos, à disposição. Quem entra pode usar sem precisar pedir duas vezes. Jorge conta que o preço foi acessível e que muita gente se surpreende quando entra. Na falta de um cabo, ele deixa quatro disponíveis. Ele diz que a ideia é montar, futuramente, uma pequena lojinha dentro do veículo. Trazer perfumes, por exemplo. Mas, ao contrário de muitos motoristas de aplicativo que já fazem isso, o objetivo é oferecer marcas nacionais. “Algumas pessoas nem percebem. Mas quem percebe fala: ‘moço, que legal, é o primeiro que eu vejo assim’.” Jorge conta que a maioria acha “top” a invenção. No carro, há câmeras para garantir a própria segurança e evitar problemas no trânsito. Em todos esses anos rodando pela cidade, histórias não faltam. Foi isso que o inspirou a querer falar sobre a profissão na internet e mostrar alguns dos perrengues que enfrenta com passageiros. A ideia, por enquanto, ainda está no papel.