A tramitação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia avançou no Congresso Nacional após a aprovação unânime do relatório na Representação Brasileira no Parlasul (Parlamento do Mercosul), na manhã desta terça-feira (24). Com o aval do colegiado, a proposta segue agora para análise no Plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e vice-presidente da representação no Parlasul, disse que já há relator definido na Câmara e crê em agilidade, uma vez que outros países também já estão internalizando o acordo. A votação ocorreu após a retomada do debate, interrompido em 10 de fevereiro por um pedido de vista. O tratado foi encaminhado pelo Executivo ao Congresso. Relator e presidente da representação, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) destacou que o acordo prevê redução gradual de tarifas, salvaguardas para setores considerados sensíveis e mecanismos de solução de controvérsias. Segundo ele, o tratado poderá consolidar um mercado integrado de aproximadamente 718 milhões de pessoas, ampliando o fluxo comercial entre os blocos. Já Trad considerou que há pontos do acordo que já podem começar a ser aplicados, citando a longa articulação de 26 anos, “com tanta luta e tanto trabalho”. Os dois destacaram as vantagens que o acordo comercial pode trazer aos países envolvidos. Trad citou “janelas de oportunidades” no comércio exterior, com cerca de 30 países envolvidos. Autor do pedido de vista que adiou a votação anterior, o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) reconheceu avanços, mas alertou para os desafios à indústria nacional, especialmente diante das diferenças estruturais entre os blocos. “O Brasil precisa observar o calendário previsto para evitar prejuízos ao setor produtivo”, ponderou. Trad destacou a necessidade de criação de um grupo de trabalho no Senado para acompanhar a aplicação do acordo comercial. “É uma oportunidade positiva, mas é necessário mitigar eventuais problemas e esclarecer dúvidas por meio de audiências públicas”, afirmou, conforme a Agência Senado.