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Após surto de casos, Ministério da Saúde reforça combate ao Aedes em aldeias

Diante do aumento de casos de arboviroses em Mato Grosso do Sul, equipes do Ministério da Saúde realizaram uma agenda técnica em territórios indígenas do estado para fortalecer as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.  A mobilização ocorreu entre os dias 2 e 6 de março e envolveu representantes da SVSA (Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente), da SES (Secretaria de Estado de Saúde), da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), do Dsei-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), além de secretarias municipais e lideranças indígenas. A iniciativa integra uma estratégia nacional de prevenção a doenças como dengue, chikungunya e zika em áreas indígenas, levando em consideração as características ambientais, culturais e territoriais de cada comunidade. A mobilização ocorre em meio ao alerta para o aumento de casos de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, onde vivem cerca de 20 mil indígenas guarani-kaiowá e quase 100 casos da doença já foram confirmados nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Durante a agenda técnica, foram realizadas reuniões, apresentações institucionais e visitas de campo para avaliar as condições locais e promover a troca de experiências entre profissionais de saúde. As atividades começaram em Sidrolândia, na aldeia 10 de Maio, com a apresentação dos objetivos da ação e uma primeira visita para reconhecimento do território.  Em seguida, as equipes seguiram para Amambai, onde ocorreram encontros entre gestores, profissionais de saúde e lideranças indígenas, além de visitas às aldeias da região para identificar desafios no controle do mosquito transmissor. A agenda também passou por Miranda, com reuniões e ações em comunidades indígenas, incluindo encontros com representantes das aldeias Moreira e Passarinho. Nos últimos dias, os trabalhos ocorreram em Aquidauana, nas regiões de Taunay e Limão Verde, reunindo representantes de diversas aldeias para discutir estratégias de vigilância e prevenção. Segundo a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, a integração entre diferentes esferas do SUS (Sistema Único de Saúde) é fundamental para enfrentar as arboviroses. “O enfrentamento às arboviroses exige atuação articulada entre todas as esferas do SUS. Em Mato Grosso do Sul, temos fortalecido essa integração com o Ministério da Saúde, com a saúde indígena e com os municípios para qualificar as estratégias de vigilância, prevenção e controle do Aedes”, afirmou. Entre as alternativas debatidas durante os encontros está a possível utilização da tecnologia do inseto estéril, método que prevê a liberação de mosquitos machos esterilizados para reduzir gradualmente a população do Aedes aegypti.  A técnica pode ser implementada inicialmente em uma aldeia do estado, escolhida com base em critérios técnicos, atuando de forma complementar às ações já realizadas pelas equipes de saúde. Enquanto isso, em Dourados, um mutirão coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde intensificou o combate à epidemia de chikungunya na Reserva Indígena. Em três dias de mobilização, agentes vistoriaram 2.255 moradias nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Ao todo, foram identificados 589 focos de larvas do mosquito transmissor da doença. As equipes realizaram tratamento químico em 1.156 residências e borrifação com máquina costal em 43 casas, além da aplicação de inseticida com nebulizadores de aerossol a frio. Participaram da operação 77 agentes de endemias e 20 agentes de saúde indígena, com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Itaporã, da Sesai e do DSEI. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, o combate à doença depende também da colaboração da população. “Não estamos medindo esforços para conter o avanço da febre chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, mas é preciso salientar que a população precisa fazer a parte dela, acabando com pontos de água parada”, afirmou. Os levantamentos indicam que cerca de 90% dos focos do mosquito estavam em caixas d’água, garrafas pet, pneus velhos, lixo e recipientes com água para animais espalhados nos quintais das residências, situação que favorece a proliferação do Aedes aegypti e aumenta o risco de novas epidemias nas comunidades.

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