A rapper indígena Guarani Kaiowá MC Anarandà lançou o videoclipe de “Jasy Tatá”, expressão que pode ser traduzida como “Lua de Fogo”. O trabalho simboliza uma virada na trajetória artística dela, pois sai o registro documental ligado diretamente ao território e entra uma experiência audiovisual construída integralmente em chroma key, com uso intenso de efeitos visuais digitais. No video a rapper vai à lua. Em produções anteriores como Feminicídio, As Lembranças da Minha Avó e Mãe, a câmera estava colada à realidade da aldeia, quase como um testemunho direto. Em “Jasy Tatá”, a aposta é outra. O clipe abandona o realismo e mergulha em paisagens simbólicas, animações, grafismos e cenários digitais. Aqui, a tecnologia não aparece como adereço para “embelezar” o discurso indígena. Ela vira linguagem narrativa. Convidam a dialogar com memória, espiritualidade e música. A artista explica o ponto de partida da obra sem rodeios: a música nasce da escuta espiritual e da memória coletiva, com inspiração direta na juventude de seu território. É canto, reza e resistência. Não é slogan. É posicionamento. Na música, a direção e a produção do álbum ficaram sob responsabilidade de Vinil Moraes, que destaca o encontro entre inovação sonora e tradição. A produção reúne o trabalho do produtor Wagner Bagão com instrumentos ancestrais gravados diretamente pelos Guarani Kaiowá. A ideia não é misturar por exotismo, mas encontrar equilíbrio. Segundo ele, a versatilidade da artista foi decisiva para chegar a esse ponto. O videoclipe integra o projeto “Pehendu Ore NÊ'Ê – Escuta nossas vozes” e foi realizado com recursos do FIC Fundo de Investimentos Culturais do Governo do Estado. Confira o clipe neste link.