A exemplo da família Name em Campo Grande, o clã Razuk manteve em operação as bancas do jogo do bicho pelas ruas em Dourados mesmo após ter sido alvo da Operação Successione por três vezes. Ao denunciar o patriarca Roberto Razuk, os filhos dele e outros integrantes de organização criminosa dedicada à exploração da loteria ilegal, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) classificou como “audácia” a manutenção dos pontos de aposta em funcionamento “em plena luz do dia”. “A organização criminosa liderada por Roberto Razuk e seus filhos continua explorando o jogo do bicho com domínio absoluto em Dourados e região, sem qualquer constrangimento, como se atividade lícita fosse, valendo-se de bancas espalhadas por diversos pontos estratégicos da cidade, onde podem ser anotadas as apostas, o que somente se consegue mediante intensa e sistêmica corrupção policial”, destacam os promotores Gerson Eduardo de Araujo, Tiago Di Giulio Freire, Antenor Ferreira de Rezende Neto e Moisés Casarotto na denúncia. O documento revela que equipe do Gaeco esteve em Dourados em março deste ano, quando fotografou o bicho em pleno funcionamento “à moda antiga”, conversou com apontadores que indicaram Razuk como o “dono do jogo” e fez apostas para confirmar a atividade. “Obviamente, as anotações de jogos se modernizaram, pois agora são feitas por equipamentos eletrônicos, facilitando o registro das chamadas pules”, constataram os promotores, que observam: “Mas uma coisa não mudou: a audácia da organização criminosa comandada pelos Razuk, a qual continua em 2025 a desenvolver suas atividades ilícitas sem o menor embaraço, às ‘portas abertas’, em plena luz do dia, a despeito da operação deflagrada com a prisão de importantes membros e da denúncia já oferecida”. Para os investigadores, o conjunto probatório não deixa dúvidas de que os pontos pertencem a Roberto Razuk e seus filhos: o deputado estadual Roberto Razuk Filho (Neno Razuk), Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O próprio depoimento informal dos anotadores do jogo do bicho reforça essa conclusão. Segundo a denúncia, os cambistas são “unânimes em afirmar que o controle e domínio da atividade, naquela região, é da família ‘Razuk’”. Por fim, a denúncia sustenta que o domínio consolidado em Dourados explica a estratégia atual da organização. “Tamanha é a predominância da família Razuk sobre a jogatina da cidade douradense”, diz o texto, que aponta que pai e filhos buscam agora monopolizar também o jogo do bicho em Campo Grande, movimento que está no centro das investigações que compõem a Operação Successione. Em 2020 – Era a manhã de uma quarta-feira e em cinco minutos, foi feita a retirada da primeira de 87 banquinhas usadas há décadas pela organização responsável por explorar o jogo do bicho em Campo Grande. Reflexo da Operação Omertà, também do Gaeco, o fim das estruturas que abrigavam os apontados do bicho nas ruas da Capital escancarou a derrocada da família Name, após a prisão de Jamil (o pai) e Jamil Name Filho, o Jamilzinho, em setembro de 2019. A primeira cabine arrancada ficava na calçada da Avenida Mato Grosso, em frente ao condomínio Eudes Costa. Não havia ninguém no lugar. Foi preciso um guincho para a operação. Em setembro de 2020, na fase "Black Cat" da Omertà, as bancas do jogo do bicho na Capital foram lacradas. Depois, uma lista de 107 endereços foi mandada para a prefeitura informando sobre irregularidades na ocupação de calçadas. No dia 25 de novembro, o município publicou edital exigindo a retirada pelos responsáveis. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .