Trump quer trazer a guerra para o meu quintal
Que o presidente norte americano Donald Trump é um belicista psicopata é um fato notório e cristalino para todo mundo. Outro fato — recorrente – são os sucessivos ataques à soberania de outros países, sejam na América Latina, na Europa, na Ásia e na África. Os sucessivos desrespeitos, no entanto, passaram de qualquer padrão aceitável, culminando na autorização de ataques ao território venezuelano na manhã deste sábado, 3.
Ao menos quatro cidades registraram a queda dos “mísseis da democracia” em seu solo: Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira. Houve ainda, segundo o laranjão, a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, embora ainda não tenham sido apresentado provas do chefe venezuelano sequer esteja vivo.
É o governo americano, mais uma vez, intervindo, sem que nenhum óbice seja capaz de pará-lo. A contraposição das forças venezuelanas é praticamente nula. Não há correlação de forças entre o país com a menor renda per capita da América do Sul e a nação com o maior poderio bélico do mundo.
Para além da análise geopolítica, é o presidente Trump trazendo guerra para o meu quintal. Um lugar que, apesar da violência urbana gritante, enfrentou pouquíssimos conflitos ao longo da história. Guerras travadas, principalmente, no século XIX, talvez com exceção da Guerra do Chaco entre Bolívia e Paraguai e a e os conflitos armados envolvendo as FARC e o ELN.
Panamá sofreu da mesma democracia
O episódio remete, de forma quase automática, à invasão do Panamá em 1989, durante o governo de George H. W. Bush. À época, os Estados Unidos lançaram a chamada Operação Just Cause, sob o argumento de proteger cidadãos norte-americanos, combater o narcotráfico e “restaurar a democracia”. O resultado foi a derrubada de Manuel Noriega, a ocupação militar do país e um saldo de centenas — possivelmente milhares — de civis mortos, em uma intervenção realizada sem autorização do Conselho de Segurança da ONU e amplamente criticada por organismos internacionais.
Assim como no Panamá, o discurso que embala a ofensiva atual mistura retórica moralizante, excepcionalismo americano e a ideia de que a força militar pode substituir o direito internacional. Em ambos os casos, a assimetria de poder é absoluta: um pequeno país latino-americano, politicamente fragilizado e economicamente asfixiado, confrontado pela maior máquina de guerra do planeta. O precedente panamenho demonstra que, sob o verniz da “defesa da democracia”, Washington não hesita em violar soberanias quando seus interesses estratégicos assim o exigem — ainda que isso custe vidas civis, estabilidade regional e o já frágil arcabouço do multilateralismo.
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