Redes sociais impulsionam uso de canetas emagrecedoras e acendem alerta na Santa Casa de Goiânia
O uso de medicamentos injetáveis conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras tem crescido de forma acelerada no Brasil, impulsionado por promessas de emagrecimento rápido e pela ampla divulgação nas redes sociais. No entanto, o consumo desses medicamentos sem prescrição e acompanhamento médico pode trazer consequências graves à saúde, especialmente ao sistema cardiovascular.
O alerta é do cardiologista Dr. Raphael Manollo, da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, que chama atenção para o uso indiscriminado dessas medicações fora dos critérios clínicos adequados. Segundo o especialista, embora esses fármacos tenham indicação reconhecida para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, da obesidade, seu uso exige avaliação médica rigorosa e acompanhamento contínuo.
“Essas substâncias atuam diretamente no metabolismo e no controle do apetite. Quando utilizadas sem orientação profissional, podem provocar aumento da frequência cardíaca, agravar arritmias e favorecer a retenção de líquidos, o que representa um risco importante, sobretudo para pacientes com doenças cardíacas pré-existentes”, explica o cardiologista.
Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 56% da população adulta brasileira está acima do peso e que cerca de 1 em cada 5 adultos é obeso, o que ajuda a explicar a busca crescente por soluções rápidas para emagrecimento. Paralelamente, médicos têm observado aumento na procura por canetas emagrecedoras sem avaliação clínica prévia, cenário que preocupa especialistas.
Além dos impactos cardiovasculares, o uso sem prescrição pode causar efeitos adversos como náuseas intensas, vômitos, desidratação e interferência na absorção de outros medicamentos. Há ainda contraindicações específicas, como para gestantes e pacientes com diabetes tipo 1 — grupos para os quais não há indicação segura comprovada.
A preocupação não é isolada. Além da comunidade médica, órgãos reguladores reforçam que o uso desses medicamentos sem acompanhamento profissional pode desencadear complicações metabólicas relevantes, além de mascarar doenças silenciosas que exigiriam tratamento específico. Como resposta ao avanço da automedicação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir retenção de receita médica para a venda desses medicamentos, medida que busca ampliar o controle e proteger a segurança dos pacientes.
Para o Dr. Raphael Manollo, o debate vai além do medicamento. “A obesidade é uma doença metabólica complexa. O emagrecimento seguro passa por avaliação clínica completa, identificação de comorbidades silenciosas, mudanças no estilo de vida e acompanhamento profissional contínuo. Não existe solução simples para um problema complexo”, reforça.
Leia também: Uso indiscriminado de canetas emagrecedoras pode afetar o coração, alerta cardiologista
O post Redes sociais impulsionam uso de canetas emagrecedoras e acendem alerta na Santa Casa de Goiânia apareceu primeiro em Jornal Opção.