A história não é acaso e no Irã a realidade se impõe ao regime em queda livre
O regime de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, vive o momento mais frágil em 35 anos. Os protestos se espalham pelo país. Nas 33 províncias que formam o estado teocrático há relatos de violência, prisões e mortes. A revolta teve início no último dia 28 de dezembro, quando os comerciantes do tradicional Grand Bazar de Teerã e de Isfahan ( antiga capital) fecharam as portas alegando que não aguentam mais pagar tantos impostos para sustentar uma economia em frangalhos. O Rial, a moeda local, tinha acabado de bater 1,45 milhão por dólar neste dia. A inflação já ultrapassa 50% e o preço dos alimentos subiram 72% nos últimos doze meses.
Mas há nove dias que a revolta popular deixou de ser apenas pela economia iraniana. Desde então, rapidamente, o povo descobriu a força da voz das ruas. Hoje são estudantes, mulheres sem o véu, a população inteira agora grita “morte ao ditador” e “nem Gaza e nem o Líbano _ minha vida é pelo Irã” em referência ao financiamento do país a grupos terroristas como Hamas e o Hezbolá.
Já são mais de 40 mortos. A internet foi cortada em parte do país e o governo alega que a interrupção foi devido às baixas temperaturas. Mais de 1200 pessoas foram presas até agora e o Chefe do Judiciário avisou: “ Não haverá clemência dessa vez, todos serão enforcados.”
O Irã vive um colapso sistêmico. O líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, está com 86 anos, a saúde fragilizada e não possui forças sequer para os tradicionais discursos de ódio proferidos toda sexta-feira na Universidade De Teerã desde a Revolução Islâmica em 1979. Ele está escondido num bunker desde a guerra de 12 dias contra Israel, em outubro do ano passado. Khamenei já escolheu três possíveis sucessores, mas nenhum deles têm legitimidade para liderar o país xiita política e espiritualmente.
O jornal The Times revelou que o Aiatolá tem um plano de fuga caso os protestos se intensifiquem. A rota de contingência do iraniano e mais 20 assessores seria a mesma do ex-ditador da Síria, Bashar al Assad: a Rússia. Especialistas já afirmam que a possibilidade da revolta se alastrar mais ainda é enorme. E isso deve acontecer assim que as forças de segurança passarem a desobedecer ordens.
A Guarda Revolucionária (Forças Armadas), na prática, já governa o país e controla 40% da economia. Se houver falhas no moroso processo de sucessão, certamente, ela deverá se tornar uma Junta Militar.
É uma questão de semanas ou dias, mas o regime vai cair. Não há mais força, ideologia ou economia que sustente os aiatolás no poder. Investidores internacionais falam em semanas para a queda do ditador, plataformas como a Polymarket já abriram a banca de apostas sobre quanto tempo Ali Khamanei aguenta sobre pressão. O Irã preconiza neste momento: líder escondido, sucessão fraturada, economia quebrada, população deslegitimando o sistema e isolamento crônico. Só falta empurrar.
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