A falta de insumos e problemas em equipamentos têm provocado a suspensão do atendimento odontológico em unidades básicas de saúde de Campo Grande, deixando pacientes sem assistência, inclusive em casos de urgência. O cenário foi confirmado pelo (Sioms) Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul e por relatos de usuários da rede pública. Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas. A paciente Veruska Galeano de Arruda, de 53 anos, contou à reportagem do Campo Grande News que na noite de domingo (5) procurou a USF (Unidade de Saúde da Família) Dr. Antônio Pereira – Tiradentes com forte dor de dente. Segundo ela, após passar pela acolhida e aferir a pressão, foi chamada ao consultório, sentou-se na cadeira odontológica, mas recebeu a informação de que não haveria atendimento. “Disseram que não tinha material esterilizado e nem insumos. Mandaram procurar outro lugar, mas eu não tenho condições de pagar atendimento particular”, relatou. Ainda de acordo com Veruska, a mesma resposta foi dada quando buscou atendimento na USF Dr. Edgar Pedro Raupp Sperb – Arnaldo de Figueiredo e na UPA Coronel Antonino. O presidente do Sioms, Dr. David Chadid, confirmou a situação e detalhou que, além de autoclaves (equipamento essencial para a esterilização de materiais) quebradas, 29 unidades de saúde estão com compressores danificados, o que inviabiliza mais de 90% dos procedimentos odontológicos. “Isso afeta de 65 a 70 profissionais diretamente”, afirmou. Há também registro de problemas com autoclave na UPA do Jardim Leblon, USF Dom Antônio, Clínica da Família Nova Lima e USF Aero Rancho. Na USF Cidade Morena, o sindicato informa que o compressor estragou ontem (5) e que o local já estava com a autoclave estragada. Segundo o sindicato, há informações de que novos compressores chegaram ao município, porém em número insuficiente para resolver o problema. “Não houve atualização formal às nossas solicitações nem ao Conselho Municipal de Saúde”, disse Chadid. Ele também citou falta de luvas em tamanhos adequados, o que compromete procedimentos que exigem precisão, além de escassez de EPIs (Equipamento de Proteção Individual), como jalecos, em unidades e serviços 24 horas. A categoria já está em estado de greve desde o início do mês de dezembro devido a descumprimento de decisões judiciais por parte da prefeitura e a falta de condições adequadas de trabalho nas unidades de saúde. O município, conforme o Sioms, estaria descumprindo desde 9 de dezembro uma decisão judicial, com multa diária de R$ 3 mil. Caso não haja cumprimento, a entidade afirma que haverá nova organização para deflagração de greve. “O atendimento à população e os direitos dos servidores estão severamente prejudicados”, reforçou Chadid. Ele acrescentou que o descumprimento judicial se refere ao reposicionamento no plano de cargos da categoria, sem possibilidade de novos recursos. As denúncias sobre os compressores danificados, segundo o sindicato, foram encaminhadas ao Ministério Público desde janeiro de 2024 e também ao Conselho Municipal de Saúde, que acompanha e cobra providências junto ao Executivo. A reportagem do Campo Grande News entrou em contato com a prefeitura de Campo Grande sobre a situação. Mas, até o momento, não obteve retorno aos questionamentos encaminhados. Enquanto isso, pacientes como Veruska seguem sem atendimento à espera de uma solução para a retomada segura dos serviços odontológicos na rede pública municipal.