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Preço dos imóveis em Goiânia sobe 8,6% em 12 meses e metro quadrado chega, em média, a R$ 7.982

O mercado imobiliário de Goiânia encerrou o primeiro trimestre de 2025 com sinais claros de valorização e estabilidade. Segundo relatório recente, o preço médio do metro quadrado na capital goiana atingiu R$ 7.982, em média, registrando uma alta de 8,64% nos últimos 12 meses. Esse desempenho supera tanto a média nacional do índice (+8,13%) quanto a inflação oficial medida pelo IPCA, garantindo ganho real aos proprietários e investidores. Ao Jornal Opção, vice-presidente do Secovi Goiás, José Humberto Carvalho, comenta os dados. (Entrevista no final da matéria.)

Apesar da alta tímida em março (+0,09%), o acumulado anual de +0,57% reforça a resiliência do mercado goianiense, que continua entregando valorização acima da média nacional e da inflação. O cenário mostra que, mesmo em ritmo mais cadenciado, os imóveis seguem como ativos sólidos e atrativos.

A disparidade entre zonas de alto padrão e regiões centrais ou periféricas segue marcante. O Setor Marista permanece isolado como o bairro mais caro da cidade, com o metro quadrado acima de R$ 10.949. O eixo Marista-Bueno-Jardim Goiás concentra os lançamentos de alto luxo, elevando a média de preços nessas regiões em relação ao restante da capital.

RankingBairro / SetorPreço Médio (R$/m²)
Setor MaristaR$ 10.949 + 10,1%
Setor SulR$ 10.308 + 17,3%
Jardim GoiásR$ 9.546 + 8,6%
Setor BuenoR$ 9.363 + 3,2%
Setor OesteR$ 8.279 + 1,9%
Pedro Ludovico / Bela VistaR$ 7.930 + 9,5%
Jardim AméricaR$ 7.924 + 15,4%
Nova SuíçaR$ 6.506 + 1,2%
Setor SudoesteR$ 5.658 + 11,4%
10ºSetor CentralR$ 5.020 + 38,9%

Com um preço médio de R$ 7.982/m², Goiânia ainda é considerada uma capital acessível frente a Vitória (R$ 12.920/m²) e São Paulo (R$ 11.497/m²). Essa posição intermediária no ranking nacional reforça o potencial competitivo da cidade, especialmente para investidores que buscam oportunidades em mercados de crescimento.

Após anos de forte valorização, Goiânia vive um momento de estabilização. O ritmo de crescimento é mais moderado, mas ainda expressivo: a alta de 8,64% em 12 meses supera o rendimento de diversas aplicações de renda fixa conservadoras, reforçando o imóvel como um ativo sólido e resiliente.

Entrevista com José Humberto Carvalho, vice-presidente do Secovi Goiás

1) O Setor Central registrou uma valorização atípica de 38,9%, a maior do ranking. Esse fenômeno se deve a projetos de revitalização urbana e “retrofits” ou é um movimento puramente especulativo pela escassez de terrenos em outras áreas?

“Esse cenário está acontecendo por um conjunto de fatores. Entre eles, a procura de áreas para incorporação voltadas ao mercado do Minha Casa Minha Vida, já que são áreas mais acessíveis. Há também um vetor estrutural de revitalização: o programa Centraliza fala em benefícios fiscais, requalificação, projetos catalisadores e retrofit, inclusive em edifícios Art Déco. Isso favorece um salto percentual quando entra produto melhor e a oferta é reposicionada. Além disso, há isenção de IPTU para retrofit e restauração, incentivos ao Centro, subida de aluguel e ocupação (residencial, short stay e comercial) acompanhando a venda, obras entregues e comércio/serviços voltando, o chamado efeito de rua. Tudo isso aumenta a liquidez, mesmo sendo um m² ainda bem acessível”, aponta José Humberto.

2) O Setor Marista já ultrapassou a barreira dos R$ 10.900/m². Considerando o cenário de “estabilização” mencionado, ainda há margem para valorização real nesse nicho de superluxo ou o foco do investidor deve migrar para bairros adjacentes como o Setor Sul?

“Na minha visão ainda existe margem para novos lançamentos com valorização no superluxo. O cenário de mão de obra escassa e as áreas sendo ocupadas favorecem projetos com diferenciais de planta, pé-direito, acústica, elevador privativo, lazer com espaços assinados, assinatura de arquitetura e agora os supercompactos. Esses apartamentos devem ter valorização nos próximos anos. Portanto, quem procurar esse tipo de produto certamente terá retorno. A procura por bairros adjacentes nos produtos de superluxo ainda é pequena”, afirma.

3) Goiânia mantém um preço médio (R$ 7.982/m²) significativamente menor que Vitória e São Paulo, mas com valorização anual superior à média nacional. Esse “gap” de preços é uma janela de oportunidade para atrair fundos de investimento e compradores de fora do estado?

“Estamos começando a ver investidores e fundos de fora olhando para Goiânia, tentando diversificar seus investimentos. Isso ainda é muito incipiente, mas já está acontecendo. Há alguns anos atrás não se via nada disso”, explica.

4) O mercado goianiense superou o IPCA e a média nacional. Quais fatores locais, como o agronegócio ou a infraestrutura urbana, garantem essa resiliência mesmo em períodos de taxas de juros que costumam retrair o crédito imobiliário?

“Três pilares locais aparecem com força: 1) economia estadual forte, com agro e indústria. Leituras recentes mostram Goiás crescendo acima da média, puxado pelo agronegócio; 2) infraestrutura e mobilidade, com projetos de melhoria, corredores e revitalizações; 3) segurança. Isso importa mesmo com juros altos, porque quando o crédito retrai o mercado não zera: ele migra para compradores com renda menos dependente de financiamento, para produtos defensivos (boa liquidez e localização) e para investidores que trocam CDI por ativos reais quando enxergam crescimento e proteção de valor”, aponta José Humberto.

5) A concentração de lançamentos de luxo no eixo Marista-Bueno-Jardim Goiás pode gerar uma sobreoferta a médio prazo? Como enxerga o potencial de bairros com valorização de dois dígitos, como o Jardim América e o Setor Sudoeste, para equilibrar essa demanda?

“Risco existe, mas ele é segmentado. O que pode acontecer é repetição de tipologia (mesmas metragens e plantas), preços esticados sem entrega real de diferencial e excesso de unidades concorrendo no mesmo microcluster. Ao mesmo tempo, bairros como Jardim América funcionam como válvula de equilíbrio: entregam boa vida urbana com ticket menor, puxando demanda que não fecha conta no superluxo”, afirma.

“Minha estratégia para equilibrar demanda e reduzir risco de sobreoferta seria: Jardim América, excelente para upgrade da classe média alta e para produto com foco em custo-benefício aliado à localização; e Setor Sudoeste, com tese de reprecificação por infraestrutura e conveniência, ticket de entrada mais baixo e ótimo para investidores que buscam liquidez e menos exposição ao superluxo”, finaliza.

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