Morre segundo gêmeo siamês após cirurgia de emergência para separação no Hemu
Morreu, na tarde desta quinta-feira, 8, o segundo gêmeo siamês após cirurgia de emergência para separação. A confirmação veio por meio de nota da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Durante a madrugada, o primeiro gêmeo não resistiu, o que necessitou do procedimento cirúrgico emergencial pela equipe do médico Zacharias Calil.
Os gêmeos eram naturais do Mato Grosso e nasceram na última terça-feira, 6, unidos pelo quadril, em um parto considerado de alta complexidade. Desde o nascimento, os bebês estavam internados na UTI neonatal, sob acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.
“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e o Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (HEMU) informam que, na madrugada desta quinta-feira, 8 de janeiro, um dos gêmeos siameses apresentou sucessivas paradas cardiorrespiratórias e, apesar de toda a assistência prestada pela equipe multiprofissional, evoluiu a óbito. Diante da gravidade do quadro, a equipe assistencial indicou a realização de procedimento de emergência para a separação dos irmãos siameses, com o objetivo de preservar a vida do segundo bebê”, diz trecho da nota.
“A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião pediátrico Zacarias Calil. Mesmo com todos os cuidados especializados e suporte intensivo, o segundo bebê também não resistiu e evoluiu a óbito. A SES-GO e o HEMU manifestam solidariedade à família e reafirmam seu compromisso com a prestação de assistência em saúde de qualidade, segura e humanizada”, finaliza o texto.
Zacharias Calil também publicou uma nota de solidariedade à família em suas redes sociais. “Me solidarizo com a família neste momento de imensa dor e reafirmo meu compromisso com uma medicina pautada na ética, na responsabilidade e na humanização.”
Relembre
Na quarta-feira, 7, os recém-nascidos já haviam sido submetidos a uma cirurgia de colostomia e vesicostomia, indicada após a identificação de alterações anatômicas importantes. Durante o procedimento, os médicos constataram que os gêmeos compartilhavam apenas um intestino grosso e uma bexiga única, o que dificultava o funcionamento do sistema urinário.
“Nós identificamos que só havia um intestino grosso. Os intestinos delgados vinham separados até certo ponto e depois se uniam, seguindo como um único intestino grosso”, explicou o cirurgião. Sobre a bexiga, Calil destacou que o órgão era “muito grande e espesso”, o que exigiu a exteriorização para permitir a drenagem da urina.
A mãe dos bebês, de 22 anos, estava com 34 semanas de gestação no momento do parto. A família é do município de Canarana (MT) e se deslocou até Goiânia para realizar o acompanhamento médico em uma unidade de referência. O parto foi conduzido por uma equipe especializada em gestações de alto risco.
Os gêmeos eram classificados como isquiôpagos, uma condição rara em que os bebês nascem unidos pelo quadril e podem compartilhar estruturas da pelve e órgãos abdominais. A gravidade do quadro varia conforme o grau de união e os órgãos envolvidos, o que exige avaliação constante e decisões médicas delicadas.
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