Por que o Brasil não é favorito para ganhar a Copa do Mundo de 2026; entenda
Quando o mundo do futebol começa a olhar para a Copa do Mundo de 2026, marcada para os Estados Unidos, México e Canadá, não se pode negar que o Brasil ainda é uma seleção histórica e respeitada. Contudo, os números matemáticos e projeções estatísticas recentes mostram que a Canarinha não figura entre os principais favoritos ao título — e isso merece uma reflexão crítica. O torneio acontecerá entre os dias 11 de junho e 19 de julho.
Para muitos, nem a chegada do técnico Carlo Ancelotti, um dos profissionais mais vitoriosos do futebol mundial, traz animação e confiança a esta seleção. O treinador italiano soma 30 conquistas por alguns dos principais clubes da Europa.
Vale ressaltar que, assim como o grito de campeão ficou preso por 24 anos entre 1970 e 1994, em 2026 o mesmo intervalo se repetirá em relação ao último título conquistado em 2002, na Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão.
Ao todo, Ancelotti venceu cinco vezes a Liga dos Campeões: duas com o Milan e três com o Real Madrid. O italiano também detém a distinção de ter conquistado os campeonatos nacionais nos cinco principais países do futebol europeu: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França.
A ausência de um nome de peso, como foi Neymar em outras edições, torna ainda mais difícil acreditar na conquista de um título. Para muitos torcedores, Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid apontado como possível protagonista desta geração, ainda não conseguiu traduzir em campo, pela seleção, o mesmo desempenho que apresenta em seu clube. A carência de um jogador com esse perfil é tão evidente que parte da torcida ainda deposita suas esperanças em um retorno de Neymar, que aos 34 anos tentaria disputar sua última Copa do Mundo.
Segundo simulações do supercomputador da Opta, uma das principais referências em estatísticas futebolísticas, o Brasil aparece apenas em sétimo lugar no ranking de probabilidade de título, com cerca de 5,6% de chance de levantar a taça — bem atrás de seleções como Espanha, França, Inglaterra e até Argentina e Alemanha.
Essa posição no ranking já é, por si só, um indicativo claro de que a Seleção Brasileira parte de um patamar inferior em relação às outras candidatas. Enquanto a Espanha lidera com 17% de chance de título, seguida por França (14,1%) e Inglaterra (11,8%), o Brasil se aproxima de seleções que, historicamente, não têm o mesmo peso ou tradição em Copas do Mundo.
Isso não significa que o Brasil não seja um time competitivo, mas apenas que os modelos matemáticos — que levam em conta fatores como desempenho recente, forma, elenco e estatísticas objetivas — não o colocam como favorito no próximo Mundial.
Um dos principais motivos dessa projeção mais modesta está ligado à dispersão do talento e à inconsciência coletiva. A seleção brasileira possui estrelas talentosas jogando nos maiores clubes da Europa, como Vinícius Júnior, Rodrygo e Casemiro. No entanto, o desempenho coletivo nos últimos ciclos não mostrou um padrão de consistência capaz de superar forças como a Espanha e a França em grandes competições.
Torneios recentes, como a Copa América e partidas de preparação, demonstraram dificuldades táticas e ofensivas em momentos cruciais. Isso tem sido interpretado como falta de solidez coletiva e rigidez tática — elementos essenciais para quem almeja conquistar um Mundial.
Outro fator que pesa contra o Brasil é o nível elevado de competitividade global. A Copa de 2026 será a primeira com 48 seleções, o que expande o campo de equipes fortes e aumenta a imprevisibilidade do torneio. Países como Espanha, França, Inglaterra e Alemanha vêm se destacando com elencos profundos e estruturas técnicas modernas. Além disso, até Portugal figura acima do Brasil nas projeções estatísticas, algo que poucos imaginariam há alguns anos.
Não se pode ignorar também a questão da pressão e expectativas sobre a Seleção Brasileira. No Brasil, a tradição de se esperar sempre um título mundial cria um ambiente de ansiedade que muitas vezes pesa sobre a equipe. Quando os números não corroboram essa expectativa — como nos rankings de probabilidade — surge a sensação de que o time está “devendo” em relação à sua própria história. Esse excesso de expectativa pode refletir-se em desempenho irregular em grandes jogos, algo que especialistas já comentaram ao longo do processo de preparação da equipe.
Contudo, é preciso reconhecer que favorecimento não se baseia apenas em nomes ou história, mas em coletividade, estratégia e consistência ao longo do tempo. O futebol moderno tem mostrado que times taticamente equilibrados, com estrutura defensiva sólida e transições eficientes, tendem a ter mais sucesso em Copas do Mundo do que seleções que dependem exclusivamente de talentos individuais. Nesse aspecto, Brasil ainda apresenta lacunas que precisam ser resolvidas, especialmente contra adversários tidos como favoritos, como Espanha e França.
Em resumo, não estar entre os favoritos — apesar de todo o respeito pela tradição pentacampeã — reflete uma combinação de fatores objetivos: modelos estatísticos apontam probabilidade menor de título, há concorrência de seleções muito fortes, o desempenho coletivo brasileiro tem sido inconsistente e as expectativas saturam o ambiente em vez de fortalecer o time. Isso não significa que o Brasil não possa surpreender — no futebol tudo pode acontecer — mas os dados atuais deixam claro que, no papel, a Seleção Brasileira não chega como favorita absoluta ao Mundial de 2026.
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