Sul-mato-grossense, nascido em Campo Grande e morador do Japão há mais de 20 anos, Kennedy Kashiwabara, de 38 anos, está desaparecido desde o dia 22 de dezembro. A família, que vive na Capital, cobra providências das autoridades do país asiático e do consulado brasileiro. Segundo os familiares, Kennedy mantinha contato diário com o irmão que mora em Campo Grande. Todos os dias, após o trabalho, ele acessava o computador para jogar e, nesse período, conversava com frequência sobre pescaria, jogos e assuntos do cotidiano. Também era comum o envio de vídeos de memes e pescarias antes de dormir ou durante momentos de descanso. Ainda de acordo com a família, Kennedy não possuía vícios, como fumar, ingerir bebidas alcoólicas ou fazer uso de substâncias ilícitas. O último contato direto com o irmão, por computador ou mensagens, ocorreu no dia 22 de dezembro. Nos dias seguintes, a ausência chamou atenção, já que Kennedy não acessou mais a internet nem enviou mensagens ou vídeos, comportamento considerado fora do padrão. No dia 25 de dezembro, após a meia-noite no Japão, o irmão enviou uma mensagem desejando Feliz Natal. Ao receber a resposta, percebeu que o texto não havia sido escrito por Kennedy, pois o modo de escrever não correspondia ao seu padrão habitual. A mensagem era curta e sem detalhes. Na mesma resposta, foi informado que Kennedy estaria ausente porque estaria saindo do trabalho às 22h. A informação entrou em contradição com o que ele havia dito no dia 22, quando afirmou que estava saindo mais cedo devido à falta de serviço. A divergência levantou suspeitas na família. No dia 28 de dezembro, o irmão foi informado pelo ex-cunhado de Kennedy que o chefe dele teria comunicado o desaparecimento no dia 27. Essa informação teria sido repassada a partir das Filipinas. Segundo o relato desse chefe, ele teria levado Kennedy a um restaurante em frente ao PIT100 de Otta e, depois, ambos teriam ido jogar bilhar. Ainda conforme essa versão, no local, Kennedy teria manifestado a intenção de ir até a delegacia de Otta para registrar uma ocorrência. O chefe brasileiro teria informado que não poderia acompanhar Kennedy até a delegacia porque precisava realizar pagamentos em um konbini, termo japonês para loja de conveniência. Assim, Kennedy teria ido acompanhado de um cidadão peruano, descrito como líder na empresa, até a delegacia de Otta. De acordo com o relato do peruano, ao chegarem à delegacia de Otta, um policial teria orientado que a ocorrência fosse registrada na delegacia de Oizumi, cidade onde Kennedy morava. Ao saírem do local, Kennedy teria optado por retornar a pé, alegando que queria passear. A família considera essa versão incompatível com o comportamento habitual dele, já que não costumava nem se deslocar a pé até uma conveniência a duas quadras de casa, sendo improvável que retornasse caminhando de Otta para Oizumi. Ainda no dia 28, o pai registrou oficialmente a ocorrência de desaparecimento na delegacia de Oizumi. O irmão solicitou que fosse feita uma verificação junto à delegacia de Otta para confirmar se houve tentativa de registro de ocorrência em nome de Kennedy Kashiwabara. Segundo o policial responsável em Otta, não houve qualquer pessoa com esse nome tentando registrar ocorrência naquela unidade. Diante desses fatos, o irmão afirma que as versões apresentadas contêm contradições e aparentam ser inconsistentes. Todos os nomes dos supostos envolvidos e os locais mencionados foram informados às autoridades competentes, o que, no entendimento da família, fornece elementos suficientes para apuração e esclarecimento do desaparecimento. Posteriormente, o irmão entrou em contato com o brasileiro citado no relato. Ele afirmou que não houve conflito, apenas uma conversa entre ambos e uma terceira pessoa no dia 22. Questionado sobre quem seria essa terceira pessoa ou sobre possíveis testemunhas, evitou responder, não informou nomes e passou a desconversar. Segundo a família, o tom da conversa se alterou em seguida. O homem afirmou que o irmão estaria desconfiando dele, disse que apenas queria ajudar, passou a proferir ofensas verbais e encerrou a ligação de forma abrupta. A família registrou oficialmente o desaparecimento junto à polícia japonesa, mas até o momento não há informações sobre o andamento das investigações. Também foram feitas tentativas de contato com a Embaixada do Brasil no Japão e consulados, sem retorno, segundo os familiares. O que se sabe é que a polícia entrou em contato com o empregador japonês de Kennedy, que estaria nas Filipinas. Kennedy é divorciado e pai de dois adolescentes, de 14 e 15 anos, que moram na mesma cidade. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .