Tecnologia inovadora contra o Aedes aegypti entra em fase de testes em Anápolis
Uma tecnologia inovadora para o combate ao mosquito Aedes aegypti está sendo testada em Anápolis e pode representar um avanço significativo no enfrentamento da dengue, zika e chikungunya. Trata-se de um fotolarvicida à base de curcumina, desenvolvido a partir de uma parceria entre a UniEvangélica e a Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos.
De acordo com o professor Lucas Danilo Dias, coordenador do Curso de Farmácia e do Centro de Excelência de Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde (CEPInova) da UniEvangélica, a pesquisa teve início há mais de dez anos no Instituto de Física de São Carlos, onde foram desenvolvidas as fases 1 e 2. “Essa pesquisa foi iniciada no grupo de óptica do professor Vanderlei Bagnato, na USP de São Carlos, e contou com financiamento do Ministério da Saúde, CNPq e Fapesp”, explica.
Segundo o pesquisador, o desenvolvimento do produto passou por três fases. “A fase 1 foi a prova de princípio, quando demonstramos em laboratório que o composto tinha efeito contra a larva do Aedes aegypti. A fase 2 envolveu estudos de semicampo, em maior escala, ainda na USP. Já a fase 3, que é a aplicação em campo, está sendo realizada aqui em Anápolis”, afirma.
A etapa atual é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e pela Secretaria de Estado da Saúde, com apoio da Prefeitura de Anápolis, da Fundação Universitária Evangélica (Funev) e da Diretoria de Vigilância em Saúde do município. “Estamos aplicando essa tecnologia em um bairro da cidade para avaliar a eficácia em condições reais”, detalha Lucas Danilo Dias.
O diferencial do fotolarvicida está no seu mecanismo de ação fotodinâmico. “A larva ingere o composto, que fica encapsulado em uma microcápsula. Quando exposta à luz solar, essa molécula é ativada dentro da larva, que é transparente, levando à sua morte”, explica o professor.
Os estudos indicam uma redução de até 57 vezes na concentração letal necessária para eliminar as larvas, o que traz benefícios ambientais e maior segurança à saúde humana. “Com o desenvolvimento da microcápsula, conseguimos aumentar a eficiência do produto e reduzir significativamente a quantidade necessária para o controle do mosquito”, ressalta.
A expectativa é concluir os estudos de campo ainda no primeiro semestre ou, no máximo, até o fim do ano. “Depois disso, reunimos os dados científicos e seguimos para as etapas regulatórias. A ideia é que essa tecnologia possa, no futuro, ser incorporada ao Sistema Único de Saúde e aplicada em larga escala no Brasil e em outros países tropicais”, conclui Lucas Danilo Dias.
Pesquisa goiana aposta em inovação contra a dengue
A UniEvangélica recebeu, na quarta-feira, 21, uma equipe da USP São Carlos para o lançamento e treinamento de uma tecnologia inédita no combate ao Aedes aegypti, marcando o início dos testes de campo, em Anápolis, de um larvicida sustentável desenvolvido a partir de pesquisa científica. O evento reuniu pesquisadores, equipes da Secretaria Municipal de Saúde e autoridades locais, e colocou Anápolis como a primeira cidade brasileira a sediar a Fase 3 dos testes da tecnologia, considerada promissora no enfrentamento da dengue e de outras arboviroses.
A pesquisa é fruto da cooperação entre a UniEvangélica, a USP e instituições do Brasil e dos Estados Unidos, com participação do professor Lucas Danilo Dias, coordenador do curso de Farmácia e do CEPInova. A tecnologia consiste em uma formulação fotolarvicida à base de curcumina microencapsulada, produzida por spray-drying com D-manitol e amido, que elimina larvas do mosquito com alta eficiência e menor impacto ambiental. Estudos apontam redução de 57 vezes na concentração letal em relação à curcumina livre e efeito residual de até 27 dias, com liberação controlada do princípio ativo.
A iniciativa ganha relevância diante do avanço da dengue no Brasil, que já soma quase meio milhão de casos prováveis e mais de 200 mortes em 2025, além do potencial de controle de Zika, Chikungunya e febre amarela. Desenvolvida inicialmente pelo Instituto de Física de São Carlos da USP, a tecnologia conta com apoio de agências de fomento e, na fase atual, é financiada pela FAPEG e pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, com apoio institucional da UniEvangélica e da Prefeitura de Anápolis, reforçando o papel da pesquisa acadêmica na busca por soluções sustentáveis para a saúde pública.
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