Crise de liquidez e FGC como base do modelo de negócios do Master; o que disse Vorcaro à PF
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição atravessava problemas de liquidez e tinha o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como base do seu modelo de negócios.
A declaração consta na transcrição do depoimento prestado em dezembro à delegada responsável pelo caso, segundo o G1. O FGC funciona como um mecanismo de proteção aos depositantes, mantido com recursos dos próprios bancos, garantindo valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de intervenção ou quebra de instituições financeiras.
Em três décadas de atuação, o fundo já foi acionado em cerca de 40 casos. No episódio do Banco Master, o ressarcimento deverá ser o maior da história do FGC, estimado em R$ 41 bilhões. Segundo Vorcaro, o Banco Master vivia uma crise de liquidez, situação em que a instituição não consegue honrar compromissos de curto prazo por falta de caixa.
Ele afirmou à PF que o problema era momentâneo, não estrutural, e que o banco teria cumprido suas obrigações até 17 de novembro. A liquidação da instituição foi decretada no dia seguinte.
Ao anunciar a liquidação do Banco Master, o Banco Central apontou justamente a falta de liquidez, além de graves violações às normas do sistema financeiro nacional. No depoimento, Vorcaro atribuiu os problemas do banco a mudanças nas regras do FGC, que, segundo ele, teriam sido influenciadas por pressão de outras instituições financeiras.
O empresário não detalhou quais alterações específicas teriam impactado o banco, mas afirmou que o plano de negócios do Master era “100% baseado no FGC” e que isso estaria dentro das regras vigentes à época.
Ainda de acordo com Vorcaro, as mudanças regulatórias forçaram o Master a buscar novas formas de captação no mercado, momento em que o banco teria passado a sofrer uma campanha de desgaste reputacional.
O Banco Master foi liquidado em novembro, mas os primeiros sinais de dificuldades surgiram em março, quando houve uma tentativa de venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB).
Em agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas regras para reforçar a segurança do sistema financeiro, medidas que o mercado interpretou como uma reação às práticas agressivas do Master para captação de recursos.
Entre as mudanças aprovadas estão a duplicação da contribuição extra ao FGC para bancos considerados mais arriscados, a antecipação do gatilho de cobrança dessa taxa e a exigência de maior aplicação em títulos públicos federais quando os recursos captados superarem dez vezes o patrimônio líquido da instituição.
O Banco Master era conhecido por oferecer CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado, estratégia que levantou desconfiança entre analistas. Especialistas apontam que taxas excessivamente altas costumam indicar dificuldade de acesso a fontes mais baratas de financiamento.
Além disso, grande parte dos recursos do banco estava aplicada em ativos de baixa liquidez, como carteiras de crédito estruturadas e precatórios, o que reduzia a capacidade de gerar caixa no curto prazo e agravava o problema de liquidez.
No depoimento, Vorcaro afirmou que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas reduziu esse volume para preservar liquidez, especialmente após uma comunicação do Banco Central em novembro de 2024.
Ele disse ainda ter aportado quase R$ 6 bilhões de recursos próprios para sustentar o modelo de negócios durante a crise. Desde o dia 19, o FGC iniciou o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ aos correntistas e investidores do Banco Master.
Leia também:
- Mais de 80% dos goianos entram para a classe média, diz novo levantamento da FGV
- Mesmo com o IGP-M negativo, especialistas explicam por que os aluguéis podem estar mais altos em Goiânia
O post Crise de liquidez e FGC como base do modelo de negócios do Master; o que disse Vorcaro à PF apareceu primeiro em Jornal Opção.