Goiás registra 743 novos casos de hanseníase em 2025 e intensifica ações de prevenção durante o Janeiro Roxo
Em 2024, Goiás registrou 868 novos casos de hanseníase, sendo que 7,8% dos pacientes já apresentavam deformidades físicas no momento do diagnóstico. Em 2025, dados preliminares indicam 743 novos casos, com 6,7% dos pacientes diagnosticados já com algum grau de incapacidade física.
Durante o Janeiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a hanseníase, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES), intensifica ações de prevenção, diagnóstico precoce e enfrentamento da doença em todo o estado. A hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O último domingo de janeiro marca o Dia Mundial contra a Hanseníase, data que integra o calendário de mobilização da campanha. Ao longo do mês, são realizadas ações educativas para orientar a população sobre sinais e sintomas da doença, reforçar a existência de tratamento e cura e combater o estigma que ainda cerca os pacientes.
Também há capacitação de profissionais de saúde nos municípios. As iniciativas buscam interromper a cadeia de transmissão e fortalecer a atenção básica como principal porta de entrada para o cuidado contínuo.
De acordo com a dermatologista Nayana Chaves Aveiro, do Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), a hanseníase é transmitida principalmente por gotículas respiratórias, após contato íntimo e prolongado com pessoas infectadas, especialmente no ambiente domiciliar.
“A doença tem cura e, após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir. O grande desafio é identificar os sinais ainda no início, quando é possível evitar sequelas e garantir melhor qualidade de vida”, afirma.
Rede estadual de atendimento
O HDT atua como hospital de referência terciária, recebendo casos mais complexos encaminhados por outras unidades, principalmente quando há dúvidas diagnósticas, falha terapêutica ou complicações. A unidade atende pacientes de todas as idades, da Região Metropolitana de Goiânia, do interior de Goiás e também de estados como Pará, Bahia, Maranhão e Tocantins.
Segundo a médica, a maior parte dos pacientes encaminhados apresenta complicações neurológicas, feridas infectadas, deformidades instaladas ou reações inflamatórias graves, que demandam acompanhamento multiprofissional. “Nosso papel é estabilizar esses quadros, tratar infecções associadas e garantir que o paciente retorne à atenção básica para dar continuidade ao tratamento”, explica.
Outra unidade de referência é o Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Solidariedade (Ceap-Sol), que atende pacientes com doenças infecciosas, incluindo hanseníase.
O local oferece atendimento especializado, internação e hospedagem para pacientes do interior, com foco no diagnóstico precoce, no tratamento com poliquimioterapia (PQT) e no acompanhamento para prevenção de incapacidades.
Capacitação e vigilância
A SES também investe em capacitações e treinamentos para profissionais das redes municipais de saúde, com ações presenciais e cursos na modalidade de ensino a distância. Além disso, mantém atividades de vigilância e canais de suporte técnico para discussão de casos clínicos em todo o estado.
“A capacitação dos profissionais é fundamental para que o paciente seja diagnosticado rapidamente e receba o tratamento correto desde o início, evitando sequelas e reduzindo a transmissão”, afirma Ana Lúcia Maroccolo, dermatologista da área técnica de hanseníase da SES.
A orientação à população é ficar atenta a sinais como manchas na pele com alteração de sensibilidade, formigamento, choques nos nervos e redução da força muscular. Ao perceber qualquer desses sintomas, a recomendação é procurar imediatamente a unidade básica de saúde mais próxima. O tratamento é gratuito e está disponível em toda a rede pública.
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