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Brasil, ditadura e Oscar: o acerto de contas com o passado com a devida provocação no presente

31 de março de 1964. A data que transformou a história futura do Brasil. Neste dia, militares realizaram um golpe militar contra o governo legalmente constituído de João Goulart. Os golpistas promoveram uma violenta repressão a diversos setores políticos, principalmente àqueles que iam contra o que pregavam na época: a restauração da disciplina e da hierarquia das Forças Armadas.

Outro ponto da justificativa apresentada para a ditadura era o de deter a “ameaça comunista” que, segundo eles, pairava sobre o Brasil. A fundamentação ideológica era de que a ameaça ao capitalismo e à segurança do país não se daria por uma guerra tradicional contra exércitos de outros países, mas, sim, por meio de “inimigos internos” que utilizariam a “subversão” da ordem existente.

O ponto mais tenso desse período veio com o Ato Institucional (AI) 5, considerado o mais repressivo durante os 21 anos em que a ditadura perdurou. Ele foi instituído em 13 de dezembro de 1968 e se tratava de um instrumento legal que retirou direitos institucionais que ainda restavam desde o início do golpe. Nesse período, ocorreu o fechamento do Congresso, a cassação de mandatos, a intervenção nas unidades federativas, a decretação de estado de sítio sem os trâmites legais da Constituição, a suspensão de direitos políticos dos cidadãos, prisões sem justificativa, a suspensão de habeas corpus e da atuação do Judiciário em atos que eram enquadrados.

Entretanto, os militares começaram a ficar desunidos internamente em diversos momentos, o que culminou na dissolução do golpe em 1985, com a volta do regime democrático depois da vitória de Tancredo Neves e, após o seu falecimento, a posse de José Sarney.

O episódio está marcado na história brasileira, com milhares de pessoas mortas e algumas, até hoje, sem serem encontradas. Aos poucos, está acontecendo o reconhecimento da culpa do Estado na morte dessas vítimas. Esse contexto, inclusive, esteve presente no longa Ainda Estou Aqui, o primeiro filme brasileiro a trazer um Oscar, a maior premiação mundial do cinema. O filme foi reconhecido como o melhor longa internacional e, no Globo de Ouro, premiação que serve como termômetro do Oscar, deu a Fernanda Torres o prêmio de melhor atriz de drama. O longa trouxe o drama de Eunice Paiva após o desaparecimento do marido, Rubens Paiva, que foi levado por policiais à paisana, e ela busca descobrir a verdade sobre o destino do marido, uma busca que se estende por décadas.

Walter Salles reafirma a força das narrativas nacionais com sucesso de “Ainda Estou Aqui” | Foto: Divulgação

Neste ano, o filme O Agente Secreto também fez bonito no Globo de Ouro e trouxe as vitórias nas categorias melhor ator de drama, pela atuação de Wagner Moura, e melhor filme de língua não inglesa. Na semana passada, o longa teve quatro indicações ao Oscar: melhor elenco, melhor filme internacional, melhor filme e melhor ator. O filme também se passa no período da ditadura militar.

Por qual motivo esse período da história brasileira tem se tornado pano de fundo para produções cinematográficas e tem sido aplaudido no exterior? O professor de História, Tiago Oliveira, pontua que o retorno recorrente da ditadura militar como tema no cinema brasileiro contemporâneo não é um exercício nostálgico nem apenas um acerto de contas com o passado, mas uma resposta direta às tensões políticas do presente, especialmente ao fortalecimento de discursos autoritários no Brasil recente. Ao revisitar esse período sombrio, o audiovisual nacional atua como instrumento de resistência democrática, disputa de memória e formação crítica da sociedade.

“A história não é revisitada de forma neutra; ela é reinterpretada à luz dos conflitos atuais. O cinema brasileiro contemporâneo retoma a ditadura militar porque o tema voltou a circular no debate público, impulsionado por discursos que relativizam ou defendem o regime autoritário”, pontua.

Esse diálogo das produções com o presente foi destacado pelos diretores dos dois filmes: Walter Salles (Ainda Estou Aqui) e Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto). Uma dessas conversas vem com a defesa do período por algumas pessoas da sociedade e até mesmo lideranças políticas. Isso acontece por ideias pregadas, como o uso do “milagre econômico”, que é um argumento simples e enganoso, além da dificuldade de acesso à informação que as pessoas que viviam no campo, grande quantidade à época, tinham. “O fortalecimento de narrativas pró-ditadura, especialmente a partir de 2016, criou um ambiente de disputa simbólica no qual a arte se posicionou como reação política. A divisão da sociedade brasileira em relação à ditadura está profundamente ligada à desigualdade social e à forma como diferentes grupos viveram, ou não viveram, a repressão”, destaca o professor.

Ao ser questionado se estaríamos vivendo uma ditadura em um aspecto diferente, ele diz desacreditar, já que as formas de controle que são utilizadas para isso não são compatíveis com a população mais urbana, que também tem se mostrado diversa e politicamente consciente. “Um exemplo disso é a ampliação de pautas ligadas a gênero, sexualidade e direitos civis. Esses grupos, antes silenciados, hoje têm voz e visibilidade. A repressão cultural e comportamental do regime militar entra em choque com a pluralidade contemporânea, e o cinema evidencia essas contradições ao retratar personagens e conflitos antes invisibilizados”, destaca.

Para além desse período, o professor explica que a arte tem o poder de tocar em uma ferida para ser aberta e debatida entre a sociedade. Ele relembra os personagens que o humorista Paulo Gustavo — que nos deixou precocemente durante a pandemia da Covid-19 — fez ao longo de sua carreira.

“A demonização da cultura por setores da direita ocorre porque a arte é capaz de gerar reflexão crítica, questionar o poder e estimular consciência política. Por isso, vários segmentos usam as narrativas contra a Lei Rouanet como estratégia de deslegitimação. Isso acontece até mesmo em gêneros populares, como a comédia, que também exercem papel político ao provocar reflexão”, afirma.

A arte tem que cumprir o papel de entreter, mas também de levar à reflexão sobre a nossa sociedade. Perante tamanha qualidade, os filmes brasileiros têm feito bonito em premiações internacionais. Apesar das divisões internas que vivemos, de pessoas até mesmo torcendo contra por questões político-ideológicas, dá orgulho de ver que o Brasil tem criado a consciência do seu tamanho e da sua capacidade como exportador de bons produtos no audiovisual e que tem incomodado alguns segmentos, o que mostra que está no caminho certo. Que venha mais um Oscar.

Leia mais: Jair Messias Bolsonaro: do fenômeno ao colapso simbólico 

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