Objetivo da selvageria entre os bolsonaristas Malafaia, Damares, Eduardo e Figueiredo é manter o controle da opinião pública
O presidente do Partido Liberal, o analógico Valdemar Costa Neto, de 76 anos, teme que, com tantos conflitos, a direita caminhe para a disputa eleitoral deste ano extremamente dividida.
Expert em política e rei dos bastidores, Costa Neto tem razão em parte. Porque, parte da direita se tornou especialista em criar conflito e se atacar.
O fogo amigo é mais forte na direita, sobretudo na bolsonarista, que na esquerda — agregada em torno do presidente Lula da Silva, do PT.
Jornais, blogs e redes sociais divulgam, quase todos os dias, ataques verbais — às vezes de extrema violência — de bolsonaristas contra bolsonaristas.
A briga é verdadeira? Tudo indica que sim. Porém, há mais a dizer a respeito.
O pastor Silas Malafaia, o boca maldita dos evangélicos, critica, com o máximo de brutalidade (a palavra “merda” chega a ser eufemismo), seus próprios aliados. Já passaram por sua fuzilaria o senador Flávio Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o empresário Paulo Figueiredo (o zero-nada) e, agora, a senadora Damares Alves.
Damares Alves mencionou que há pastores envolvidos em negócios nebulosos e Silas Malafaia exigiu provas e nomes. A senadora do Distrito Federal apresentou nomes. Então, foi tachada de “linguaruda” pelo religioso.
Na terça-feira, 20, no Palácio Pedro Ludovico, em Goiânia, ouvi de dois evangélicos: “Será que sobra tempo para Malafaia orar?” Parece que sua principal atividade é brigar nas redes sociais, como se fosse um moleque peralta das ruas.
Um dos religiosos, por sinal pastor, acrescentou que, “no lugar de pregar o bem e a paz, Malafaia está pregando o ódio” — o que os evangélicos não compartilham.
Eduardo Bolsonaro, espécie de Malafainha, também não sai do ataque. Sua metralhadora verbal já mandou balas em Tarcísio de Freitas, Malafaia, Michelle Bolsonaro. Chegou a fazer “pontaria” no pai, Jair Bolsonaro, mas recuou. É tão intempestivo e irracionalista quanto o genitor.
Paulo Figueiredo, neto do presidente João Figueiredo — aquele que preferia o cheio de cavalo ao do povo —, também é um atacante costumeiro. No momento, troca sopapos verbais com Silas Malafaia.
Damares Alves é cautelosa e prefere permanecer silente no Senado. Surpreende que tenha enfrentado Silas Malafaia — chegando a dizer que o pastor de políticos da direita está endemoniado.
Dos Bolsonaros, Flávio é o menos polêmico e aprecia dialogar, por exemplo, com integrantes do Centrão. Parece mais irmão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do que de Eduardo e Carlos Bolsonaro (o suposto chefão das redes sociais da família).
Guerra pelo controle da atenção pública
Há um aspecto que a imprensa, toda ela, negligencia. As brigas entre bolsonaristas podem ser verdadeiras (afinal, são seus melhores inimigos), mas há um jogo, não muito sutil, permeando os ataques (quase uma drôle de guerre).
Quanto mais brigam, mais chamam atenção para si, para aquilo que expõem e defendem. Em termos de ocupação de espaço, o bolsonarismo, sempre no ataque, é altamente invasivo.
Com as guerras inculturais, digamos assim, o bolsonarismo ocupa espaço privilegiado na imprensa, em blogs, sites de busca (como o Google) e redes sociais.
Os bolsonaristas são onipresentes e, por isso, ocupam todo o espaço da direita, a extrema, da direita moderada e da esquerda. De alguma maneira, galvanizam e manipulam a opinião pública.
Com sua linguagem tosca, sem papas na língua, os bolsonaristas tomaram conta da internet. Que tal a leitura de uma reportagem séria sobre o crescimento da economia e uma matéria com projetos pertinentes sobre segurança? Não dá. Temos de acompanhar a “última” de Silas Malafaia, Paulo Figueiredo, Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e turma.
Então, com as brigas, longe de afugentar os leitores, os bolsonaristas “guiam” sua atenção. Reis dos adjetivos e dos advérbios, os tiranossauros da política parecem boçais — a maioria é — mas suas táticas de atrair o público são espertas, nada nefelibatas.
O octógono verbal do bolsonarismo conquista a atenção — permanente — de milhões. Trata-se de uma guerra contínua para “controlar” a opinião pública. Para mantê-la vinculada a um discurso — aquele que gera seguidores, às vezes obtusos, mas fieis.
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