As condições climáticas registradas entre 1º e 24 de janeiro de 2026 favoreceram o desenvolvimento das lavouras de verão em Mato Grosso do Sul, mesmo com volumes de chuva inferiores aos observados em outras regiões do país. De acordo com o Monitoramento Agrícola da safra 2025/26, elaborado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em parceria com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e o Glam (Grupo de Monitoramento Global da Agricultura), os acumulados registrados no estado foram suficientes para manter o armazenamento hídrico do solo e garantir o bom desempenho da maioria das áreas cultivadas. No período analisado, os maiores volumes de precipitação ocorreram na faixa que se estende do Amazonas até as regiões Centro-Oeste e Sudeste, principalmente em função da atuação da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), no início e no final de janeiro. Em Mato Grosso do Sul, assim como em parte de São Paulo e na região Sul, as chuvas foram menos expressivas, mas não chegaram a comprometer o desenvolvimento das lavouras de primeira safra. Segundo o boletim, as condições de umidade e temperatura em Mato Grosso do Sul foram, de forma geral, favoráveis ao avanço das culturas, que se encontram majoritariamente em estádios reprodutivos. O armazenamento hídrico no solo manteve-se estável ao longo do período, permitindo a continuidade do ciclo da soja e de outros cultivos de verão. O monitoramento espectral, baseado na análise do índice de vegetação obtido por imagens de satélite, reforça o cenário positivo no estado. Em Mato Grosso do Sul, especialmente na região Sudoeste, o índice de vegetação da safra atual evoluiu acima da média histórica e superou a safra anterior nos momentos críticos do desenvolvimento das lavouras. Essa diferença mais expressiva em relação aos anos anteriores está associada ao impacto das restrições hídricas registradas nas safras passadas. No Sudoeste sul-mato-grossense, a safra anterior teve maturação antecipada devido à falta de chuvas, o que explica o deslocamento da curva da safra atual para a direita, indicando um calendário de desenvolvimento distinto, mas com desempenho superior em termos de vigor vegetativo. De maneira geral, os dados indicam condições favoráveis para os cultivos de primeira safra em todas as regiões monitoradas do país, com Mato Grosso do Sul se destacando positivamente em comparação aos resultados recentes. No caso da soja, principal cultura de verão em Mato Grosso do Sul, o monitoramento aponta avanço da colheita em áreas irrigadas, com registro de boas produtividades. Nas áreas de sequeiro, a colheita também já teve início de forma pontual, acompanhando a evolução do ciclo das lavouras. Apesar das instabilidades climáticas que atrasaram a semeadura e o desenvolvimento inicial em algumas regiões do país, em Mato Grosso do Sul esse impacto foi limitado, não comprometendo o potencial produtivo da maior parte das áreas. Em relação ao milho segunda safra, o plantio em Mato Grosso do Sul ainda é considerado incipiente. As operações ocorrem, principalmente, em áreas com pivô central, após a colheita da soja. Diferentemente de estados como Mato Grosso, onde a semeadura já se intensificou, no território sul-mato-grossense o avanço depende do ritmo da colheita da oleaginosa. Ainda assim, o boletim destaca que, em todas as regiões produtoras do país, inclusive em Mato Grosso do Sul, as condições climáticas têm favorecido o início da segunda safra, tanto do ponto de vista da umidade do solo quanto das temperaturas. O Boletim de Monitoramento Agrícola é uma das principais ferramentas utilizadas para acompanhar a produção de grãos no Brasil, considerando a dimensão territorial do país, a diversidade de cultivos e os diferentes sistemas de manejo. A partir da integração de dados climáticos, informações agronômicas, observação da terra e análise técnica especializada, o levantamento subsidia as estimativas mensais de safra realizadas pela Conab. No recorte de janeiro, o cenário observado em Mato Grosso do Sul indica estabilidade climática suficiente para sustentar o desenvolvimento das lavouras de verão, com destaque para a soja, e cria condições favoráveis para a sequência do calendário agrícola da safra 2025/26 no estado.