A Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã, a 313 km de Campo Grande, assumiu as investigações sobre o avião monomotor com matrícula boliviana que fez pouso forçado com quase meia tonelada de cocaína, na área rural de Porto Murtinho, no sábado (31). Detectada pelos radares da Força Aérea do Paraguai, a aeronave pousou em uma fazenda a 96 km do perímetro urbano de Porto Murtinho. Os fardos transportados no avião estavam com 477,6 quilos de cocaína. A região é rota da droga produzida na Bolívia e despachada via aérea para o Paraguai e depois por via terrestre para o Brasil, de onde boa parte segue de navio para a Europa. Segundo informações de testemunhas, após pousar o avião de prefixo CP-298, o piloto e um tripulante entraram na mata perto do Rio Apa e desapareceram. A polícia acredita que eles cruzaram o rio e fugiram para o lado paraguaio da fronteira. Sem plano de voo informado aos serviços de controle, o avião foi detectado pela FAP (Força Aérea Paraguaia) na região de Concepción. O piloto não respondeu ao pedido de identificação e seguiu em direção ao território brasileiro. A FAB (Força Aérea Brasileira) foi avisada, mas antes que houvesse o deslocamento das aeronaves de interceptação, o piloto do avião boliviano pousou na fazenda e abandonou a carga. Avião queimado – No dia 24 de janeiro, outro avião com matrícula boliviana foi encontrado totalmente carbonizado numa área remota do Parque Nacional Paso Bravo, no departamento de Concepción, perto da linha internacional com o município de Caracol. De acordo com a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, a aeronave caiu a 700 metros da pista clandestina. Perto do local do sinistro, numa área de mata, foram encontrados 28 galões de combustíveis. Entre os destroços foram encontradas notas de 100 dólares queimadas. Autoridades bolivianas informaram que o avião tinha plano de voo entre dois pontos dentro do território daquele país, sem previsão de entrada no espaço aéreo paraguaio. A hipótese levantada por autoridades paraguaias é de que o avião estivesse a serviço do narcotráfico.