Da janela que antes dava para um paredão sem graça, agora brota um pedaço do Pantanal. Ipê amarelo com flor, buritis, bromélias e uma fauna que parece observar a casa: onça-pintada, araras-canindé, tucano, canário-da-terra. O que era concreto virou paisagem no bairro que também lembra a natureza, Carandá Bosque. A transformação é assinada pela arquiteta e artista Luana Fumagalli, que foi procurada com um pedido: dar vida à vista das janelas do sobrado onde os clientes moram. “Eles queriam algo que transmitisse paz, que trouxesse a natureza para dentro de casa”, conta. Nas primeiras conversas, as ideias foram ganhando forma a partir da biodiversidade do Cerrado pantaneiro, elementos nativos do Estado e referências do paisagismo local. Foram cerca de 120 horas de produção intensa, tudo feito à mão livre. Sem projeção, sem moldes. Antes, Luana desenhou um esboço detalhado; depois da aprovação dos moradores, iniciou o trabalho direto na parede. A expressão realista foi essencial para que plantas e animais ganhassem profundidade e presença quase palpável, explica. "A maior dificuldade é sempre a altura, ali chegamos a 7 metros e devido ao telhado precisei fazer toda a parte acima dele usando escadas, como faço os desenhos sem auxílio de projeção e sim à mão livre, precisei fazer tudo com muita cautela, mas o resultado valeu a pena". Depois de concluída, a obra ainda passa por um processo de impermeabilização com verniz específico, o que garante maior durabilidade ao mural que agora faz parte da rotina da casa. No lugar do cinza, entrou um pequeno Pantanal pela janela. Em um dos quartos são as araras que compõem o cenário. Na parte de baixo ficaram as plantas e os pássaros menores.