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Com limite de 8 kg de comida por preso, “tensão” na fila da Máxima é a balança

Na porta do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, as bolinhas de sabão que bailam pelo ar logo mostram que o domingo (dia 8) é o dia da visita das crianças.  Enquanto os pequenos brincam para diminuir a impaciência pela espera, as mães se preocupam é com a balança. Uma fica do lado de fora do presídio, a outra do lado de dentro. O limite é de oito quilos de alimentos prontos por preso.  Elas contam que as refeições, preparadas com todo cuidado na noite anterior, são medidas pelas visitantes, em casa, na base do “olhômetro”. Por isso a preocupação de que parte possa ficar pelo caminho.  Uma visitante de 32 anos, que não quis se identificar, conta que prefere não ter balança em casa “porque é mulher de preso” e, logo, se a polícia chegar vai achar que é para tráfico de drogas.  Ela relata que o limite de alimentos antes era de 8 quilos e 200 gramas e lamenta a redução. A mulher explica que 200 gramas, por exemplo, correspondem a um pequeno bolo.  Na visita de hoje, acompanhada por dois filhos, levava carne, mandioca, linguiça, frango, bolo, mousse e pão com muçarela. O encontro da família seria no pátio.  Uma segunda entrevistada, que também pediu para não ser identificada, relata que chega ao local até às 6h30.  “Aí às 8h, começam a pegar as carteirinhas. E às 9h começam a chamar para entrar. Mas acho que deveriam pegar as carteirinhas mais cedo, ainda mais no dia das crianças. Porque fica muito tempo aqui fora”.  Na noite de ontem, ela preparou a comida para o marido. “O que eu mais trago é carne. Também preparo os bolos nos potes. Mas aqui entra só oito quilos de comida por preso. Esses oito quilos também são pouco, antes entravam dez quilos. É horrível. A gente tem que ficar tirando um monte de comida”, diz a mulher de 26 anos.  Outra visitante de 32 anos, que também não quis se identificar, conta que acordou 5h30 para levar os quatro filhos na visita. A família mora no Jardim Los Angeles e gastou R$ 33 com o transporte por aplicativo.  “Preparei a comida ontem à noite. Trouxe arroz, feijão, macarrão, carne com batata e mandioca”. A auxiliar de limpeza visita o esposo de forma rotineira. “Eu venho sempre que pode. Hoje é o dia das crianças, não tem muitas”. Em geral, ela permanece das 10h30 às 14h30 no presídio.  Sobre encarar a fila, ela responde que não vê como melhorar. “Pior que não tem jeito, não tem nada a mudar”. Já o filho de 14 anos diverge. “Poderia ser mais rápido para entrar”, opina o adolescente.  Segundo a plataforma Geopresídios, desenvolvida pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a Máxima de Campo Grande tem 2.580 detentos. A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) aponta que a capacidade é para 1.151 internos. Segundo a agência, a limitação de entrada de até oito quilos de alimentos prontos no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho atende a critérios de segurança e sanitários.  "Grandes volumes de comida pronta aumentam a geração de restos alimentares e sujeira, impactando a higiene, o controle de pragas e a segurança do ambiente prisional. A medida, instituída há cerca de dois anos na unidade prisional, estabelece o limite de oito quilos por pessoa privada de liberdade visitada. Ressalta-se que os alimentos prontos devem ser consumidos no dia da visita, pois não há meios adequados de conservação ou armazenamento nas celas, evitando assim riscos à saúde e à salubridade na unidade", informa a Agepen. Churrasco - Na manhã chuvosa deste domingo, a Rua Indianápolis, que concentra o Complexo Penal do Jardim Noroeste, tinha grande movimento comercial. Vendedores ambulantes levam bolos, brinquedos e churrasco em frente aos presídios.  O cozinheiro Jhonatan Henrique Ajala, 30 anos, vai ao local todos os fins de semana. O cardápio tem carne, mandioca, farofa, maionese.  Ele conta que a carne é o item que mais vende. O preço é de R$ 10 a cada 100 gramas, equivalente a R$ 100 o quilo. A cada dia de visita, são vendidos 40 quilos de alimentos. “O meu irmão está preso, a mulher dele vinha visitar e comentou que só tinha um lugar que vendia. Eu sou cozinheiro, resolvi tentar e deu certo”. A venda já acontece há dois anos.  Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .

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