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Conto: Sobre a inevitabilidade do sacrilégio ou um canto moderno de Natal

Solemar Oliveira

Especial para o Jornal Opção

Nota: Física e narrativa
Este conto flerta com a possibilidade de criação de um texto literário que utiliza elementos da Física para a construção da narrativa, subvertidos com a intenção circunstancial de entreter, sem interesse direto no fenômeno em si ou em sua explicação. Valendo-se de noções de um formalismo científico, o texto desloca esses elementos para outra natureza, imaginativa e emprestada, implicando-os de forma orgânica e transversal. Inseridos de maneira harmônica, tais elementos permitem que até mesmo um leitor leigo os compreenda, ainda que jamais tenha estudado uma única página de Física. Trata-se, portanto, de uma literatura orgânica.
A Literatura Orgânica é aqui definida como a narrativa que incorpora elementos da Física de modo não explicativo, não pedagógico e transversal, permitindo que tais elementos se tornem parte natural do imaginário e da trama. Ela é compreensível para leitores leigos, ainda que opere com conceitos complexos.

A alma ressequida do pobre que despencou da ponte vagava moribunda. Na noite dos séculos, a morte lhe atingiu o peito como uma flecha certeira ou como a ponta de uma adaga afiada. Entre dois mundos, sentia a sombra das ideias amanhecidas popular sua mente espectral e planava sobre as memórias de sua vida fútil e deplorável. Acostumou-se com a leveza. Em outras fontes inefáveis de sabores materiais obteve a sábia conclusão de que seu corpo pereceria no caos abissal dos vermes da terra e esse seria o ponto final. Agora vagava estranho por entre telhados e chaminés, antenas parabólicas e fios encapados de cobre. Não dormia, nem comia, nem sonhava. Percorria os corredores escuros e sujos dos guetos em rasantes vaporosos.

​Minutos antes de pensar sobre essa peculiar situação sem sentido, onde um corpo etéreo tomava-lhe a satisfação do peso da carne, especialmente depois dos banquetes regados a cerveja e vinho, encontrava-se caminhando sobre o rio, na ponte velha e acidentada, pela beira, pensando no seu suicídio. Recordava-se da sua mãe e de seu carro novo com dois amassados na porta do motorista e de como se deixou levar pela velocidade. Ainda agora, que o líquido vermelho e essencial da vida não se soma ao seu estado imaterial, sem os dutos que, de maneira involuntária e eficaz, transportavam a seiva quente ao órgão-fonte, pensa a sua existência frívola de antes e de agora numa total simetria mínima que não poderia reverter. Os rasantes do material pós-morte, sem cor, sem cheiro, sem música e harmonia, que se destaca na névoa pela densidade alterada em comparação, divertem a mente sem corpo físico. Questão improvável de um mundo que penetra o anterior sem escrúpulos ou piedade. E, nestas divertidas façanhas, a importância do que vem depois se torna menor que a mínima fração da matéria.

​O objeto de observação citado é o contador João Carlos Figueira, alcoólatra e rico. Mentiu para todos e perdeu a maioria dos amigos. Jogador perturbado e aficionado pela mãe. Um doente antes de tornar-se um bêbado e um bêbado antes de tornar-se um fantasma. Agora buscava o consolo da velha que o carregara nove meses no ventre, mas desconhecia o caminho de casa em sua condição miserável de espectro solitário e confuso. Apenas voava aleatoriamente, pensando no velho Mercedes-Benz que batera duas vezes devido à embriaguez. Batera nos postes em frente aos bares. Batera depois de invernadas no botequim da praça próxima à ponte, testemunha de seus últimos minutos como homem. Mesmo que o homem derradeiro se assemelhasse a um cão sarnento e sujo.

​A condição de nuvem transparente e fortuita parecia definitiva. Sentia os humores da vida abandonada e desfazia-se metodicamente de seus interesses mundanos, não por desejo ou vontade própria e sim por necessidade nova, para uma vitalidade fluida e insignificante. A materialidade parca de suas entranhas doloridas atestava a sobrevivência do resíduo atômico, mas apenas mental e pouco dissociado da lembrança que o mantinha ligado ao conglomerado de concreto e lama de sua odiada cidade natal. Em sua insustentável condição de fumaça consciente e pensante avaliou o sobrenatural mundo de sua infeliz porção participante e de feliz possibilidade de voos rasantes, inclusive sobre as cabeças de seus inimigos de jogo, mas pobremente útil, pois de nada adiantava atacá-los sem que dano pudesse causar. E a mãe, solitária em algum canto da urbe, que ele, nem com esforço etéreo infinito, conseguia encontrar. A cidade intima de seus dias, tornara-se um labirinto difícil. Um calabouço de paredes infinitas, uma Wall Street periódica. A sua prisão errante, onde seu comportamento assemelhava-se ao dos morcegos, era uma célula unitária no coração da enorme cidade, que se repetia em múltiplas translações de seu menor espaço que mantinha as características mínimas de urbe, e sua manifestação, contrariando as leis da natureza, acontecia num espaço recíproco, além do material plano de estruturas montadas há longo tempo. Assim calculou as novas que deveria contar para a mãe religiosa que se dedicou anos a finco aos seus caprichos e sofreu com suas mazelas. E sofria com a derrota que ele próprio se proporcionou. O coração doía ao lembrar-se do seu melhor amigo, que prejudicou no jogo e falido o desprezou para sempre. Avarento demais para gastar o próprio dinheiro fingiu ser o que não era. E fingindo ser um pobre viciado, quebrado financeiramente, desapropriou de honorários o seu quase irmão para depois dizer que não podia pagá-lo. Não medindo as consequências da perda da amizade, sofreu o indizível e apenas sobrou-lhe a mãe, carente e velha, sofredora que orava pela sua cura, que nunca acontecia.

​Esta é a curta história da segunda vida de João Contador. De como ele se viu transformado em vapor etéreo e buscou incansavelmente a companhia da mãe para avisá-la sobre a pós-morte e da sua necessidade de quitar uma dívida de jogo.

​Voltemos para antes da morte. João, mergulhado no jogo e na bebida, não amava ninguém. Coroa de quarenta anos, solteiro e avarento, morava com a mãe, uma doce e simpática senhora de sessenta anos, católica e relativamente sóbria. A equivocada velha cuidava do filho cheio de manias e tinha também as suas, que consistiam em ir da casa para a igreja e da igreja para a casa, excetuando-se às vezes que saia para fazer compras de mantimentos domésticos. Viúva há pelo menos dez anos e mãe de um único e mimado filho. A velha colaborava nos afazeres da igreja, rezava o terço e chorava às vezes. O filho, como apresentado, era contador. Ganhara muito dinheiro com uma façanha econômica do passado, onde, trabalhando para uma grande empresa da cidade, enriqueceu. Agora mantinha-se do retorno de investimentos imobiliários. Não se sabe ao certo que motivos o levaram aos jogos e à bebida, alguns acreditavam, sem muita convicção, foi o desprezo de uma dama, pela qual João nutria uma paixão sincera e descompromissada, até torná-la visível para a moça que o recusou categoricamente. O zelo da mãe supriu parte da dor e o restante foi suficiente para levá-lo ao vício, que bem se sabe, uma vez instituído, não carece mais de justificativas para manter-se.

​Morto João estava preso. Seu inexplicável confinamento proporcionou-lhe a observação detalhada de sua nova e ridícula condição. Totalmente integrado à sua forma volátil e transitória firmava-se num particularmente interessante esforço de manipular a composição fluida de seu corpo em exercícios de expansões e contrações desenvolvidos com formidável precisão matemática.

​Na célula de João existiam uma loja de brinquedos, uma praça quadrada com poucas árvores e um belo canteiro de tulipas, uma dúzia de casas, quatro prédios de apartamentos e um edifício de negócios onde se podia encontrar toda sorte de advogados, economistas e contadores, dois bancos, uma agência de loteria, uma padaria e a igreja do bairro. O asfalto surrado preenchia as ruas integralmente e carros transitavam para cima e para baixo numa frenética e ininterrupta jornada diária. O mundo de João era noturno e as horas não eram contadas da mesma maneira que para as pessoas que ele observava. Sua rotina era voar sem ser visto e pairar sobre a grande entrada da Catedral à espera da mãe, que nunca aparecia. A sua missão de avisar a mãe sobre o desenrolar da vida na pós-morte distanciava-se de se cumprir, até que ele teve uma ideia. Se sua caixa de existência efêmera não podia aumentar em largura, ele teria que tentar novas possibilidades. E sua ideia foi ocupar um corpo material, tal qual os espíritos faziam com os médiuns, segundo o que leu certa vez, apesar de que estas histórias eram para ele como contos de fada, irreais e pueris. Sua jornada agora consistia em escolher o corpo de um animal que pudesse receber seu espectro confortavelmente sem luta. O problema era que suas companhias noturnas eram sempre as corujas e os morcegos, criaturas assustadoras por definição. Escolheu a coruja e determinou-se a ocupá-la como uma roupa nova que usaria e depois largaria de lado para retornar a sua existência nula com intensa vontade de não existir.

​Depois de incontáveis tentativas concluiu que ocupar o corpo da coruja era uma ideia ridícula que não resultaria em nada, visto que tal possibilidade não existia. De fato percebeu que sempre teve razão. Estas tolices eram coisas de charlatões e ficou tentado a acreditar mais em astrologia do que em transmigração de alma, já que ambas eram inúteis.

​A sua tarefa vã rendeu-lhe uma total desconfiança de que ele, possivelmente, não servia para mais nada. Não podia ver a mãe e nem devolver o dinheiro ao amigo. Estava terminantemente preso em pouco mais que um quarteirão de cidade. Até que num domingo de dezembro, dois dias antes do Natal, viu uma senhora tristonha sair da igreja com um pequeno burrinho de barro nos braços, abençoado pelo padre, seguindo da entrada principal da igreja para a rua. Era sua mãe. Linda e com as feições comoventes de sempre. Desceu do alto de onde estava planando e depositou-se na imagem, como não havia conseguido fazer com a coruja. Assim foi levado até o presépio de sua velha casa, para morar novamente com sua mãe.

​João não se interessou em compreender que força sobrenatural e mágica animava a matéria em seus níveis mais íntimos e que permitia a sua entrada gratuita. Na conjuntura de sua iniciativa o desejo incumbiu-se de tornar a mudança possível. E nas entranhas menores da estrutura física de barro, com suas moléculas distanciadas umas das outras por determinações físicas complexas cujas explicações são oriundas da inteligência de Bohr e outros gênios incrédulos em fantasmas de vapor que desejam rever suas mães, ele se instalou e sua forma astral manteve-se numa porção menor ainda que aquela da cidade. Acomodou-se em alguns, nada confortáveis, angstroms de liberdade. Era, sem conhecer o caso, o formidável demônio de Maxwell.

​Nos dias que se seguiram fora de seu confinamento não tentou manifestar-se sem que fosse pela pele de barro do burrinho de presépio. Andava pela mesa observando os anjos, os personagens bíblicos da natividade e depois retornava para sua posição cautelosamente, não queria ser visto e correr o risco da mãe ter um infarto e ir parar no outro mundo, para desavisada, fazer-lhe companhia. Manipulava o burrinho do interior da matéria, com maestria adquirida rapidamente. Distorcia as estruturas atômicas e as reestruturava conforme sua necessidade. Com o tempo, cansou-se da brincadeira. Precisava voltar sua atenção para a sua proposta de resolver os dois problemas que adquirira. Um recente, abrir os olhos da mãe para a futura realidade, e o outro, mais velho, pagar sua dívida financeira e moral com o amigo. Moralmente falando ele não resolveria o segundo fardo, mas financeiramente o seu amado Mercedes-Benz daria conta do recado. Entendendo que se falasse com a mãe através do burrinho poderia fazer mais estragos do que consertar imaginou-se noutra estrutura mais confiável. Observando o menino Jesus na manjedoura, pensou que uma figura tão cultuada pela mãe seria mais bem vinda que a de um simples burro pardo de presépio. Então, usando de toda a vontade que possuía de ver a mãe descobrir a realidade por trás de todas as falácias religiosas, migrou sua névoa sombria para o bebezinho do presépio. Eis então que o moribundo avarento, a personificação do demônio de Maxwell, ocupou a imagem de barro do menino Jesus. E esperou a mãe.

​A velha visitava o presépio todos os dias de manhã, após acordar. Olhava os bichos, os pastores, as pedras que imitavam o deserto, os galhos secos, os três reis magos com suas vestes luxuosas e coloridas, com detalhes dourados, José de pé com um cajado nas mãos, Maria de joelhos com a mão aberta próxima a testa do bebê abençoando-o e os anjos por cima da casinha de madeira gasta. Passava as mãos pela fita azul, que delineava o caminho até a manjedoura, e quando alcançava o seu final, segurava a ponta, dava um beijo e soltava para em seguida fazer o sinal da cruz. João, que agora se manifestava através do menino Jesus do presépio, não esperou que ela terminasse a cruz por completo e antes que sua mão tocasse o ombro direito, murmurou:

​– Mãe, ô mãe. Olha aqui, sou eu. – E a pequena boca da imagem movia-se controlada de maneira eficaz por ele.

​A velha tremeu o corpo e seus olhos brilharam como nunca visto por ele antes. Sentiu uma alegria tremenda e entre lágrimas e gracejos involuntários gritou em reflexo:

​– Milagre, é um milagre. – E rodou pela sala como uma barata tonta até despencar pesadamente no sofá, cansada e ofegante.

​Depois que se refez completamente do susto e de toda a polvorosa emoção provocada pela visão do que ela acreditou ser um milagre, obra de sua fé incontestável, voltou-se para a imagem e quis comentar.

​– É um milagre. Sempre acreditei que o Senhor um dia falaria comigo, só não esperava que fosse através de sua personificação infantil, o menino Jesus da manjedoura. Meu coração ainda está acelerado.

​João tentou explicar que quem falava era o seu filho a pouco tempo falecido e que, impelido por extraordinárias e inexplicáveis forças, voltou para socorrê-la da ignorância que a consumia.

​– Mãe, sou eu, seu filho. Morri, mas retornei em vapores translúcidos e maleáveis que incuti na imagem do bebezinho do presépio para poder alertar-lhe do mundo sombrio e solitário que nos espera depois de cumprida nossa jornada no mundo material, que agora desconfio ser o único de fato essencial e significativo mundo possível. Voltei para dizer à Senhora, que entregue o meu carro ao Fragoso, meu bom amigo, para pagar a dívida que tenho com ele, e para provar-lhe a importância de um amigo. Queria também dizer-lhe para viver a intensidade de seus últimos dias, sem deixar para trás vontades insatisfeitas e desejos incompletos. Compre um belo vestido, viaje para um paraíso, use o dinheiro que deixei e não retorne para casa com dinheiro sobrando, nem com trocados.

​Enquanto falava a velha iluminava-se. Não compreendia exatamente tudo que ele dizia, pois do interior do emaranhado de moléculas e com sua habilidade recém-adquirida de controlar a matéria, deixava vestígios da necessidade de treinar mais para ganhar a perfeição na função de emitir som e manipular os movimentos do objeto de barro. A mãe simplesmente entendia o que dava para entender e acreditou fielmente que Jesus, o filho de Deus, rótulo de sua inabalável crença, falava com ela e lhe dava recomendações para realizar o bem, em beneficio do filho, que poderia necessitar de tais atitudes para restaurar seu crédito com a divindade.

​A mulher idosa e simpática esperou que a imagem tridimensional, estática exceto pela boca que mexia freneticamente, pequena e pueril, bradasse suas diretrizes.  Estava hipnotizada pela situação e não esboçava concordância com as palavras de João, que para confirmar que a mãe executaria o seu pedido precisou discursar em voz mais alta e firme. Entendeu que enganá-la seria, contraditoriamente, a única maneira de salvá-la. Para causar impressão convincente e fazer-se entendido, usou então, muito reticente, a fé da mãe e proclamou-se sagrado, divino. Disse a ela que precisava acreditar no que ele havia dito, de que era preciso viver intensamente, ser melhor neste mundo quanto se é possível ser e arrancar desta terra suas boas ofertas de maneira consciente e clara.

​A velha concordou e tudo ficou tranquilo. João quietou-se e aquele menino Jesus de presépio, tagarela e avarento, acalmou-se completamente. Uma paz reinou na casa e a senhora sentiu-se feliz. Se despediu de seu ídolo maior, que em pele de infante incluiu em seu coração uma alegria poderosa e uma fé renovada.

​João sentiu sua forma fria e frágil desmanchar-se. Não conseguiu mais controlar a imagem e desgrudou-se dela para planar novamente no ar. Em seguida desmanchou-se numa poeira de gás que ficou rarefeita até desaparecer por completo.

​Nos dias que se seguiram a mãe de João fez o que havia entendido na sua conversa com a pequena imagem do menino Jesus. Doou o Mercedes-Benz para o amigo de João, comprou um vestido gracioso e viajou com o dinheiro de seu filho. Comprou uma biblioteca e doou para a escola municipal. Jantou nos melhores restaurantes da sua cidade e saboreou os vinhos que sempre sentiu vontade de beber. Dançou, enamorou-se de um senhor e casou-se novamente. Sentiu-se livre e rejuvenescida. Assistiu aos filmes antigos de sua infância acompanhada de seu novo, porém sênior, companheiro. Amontoou lembranças recentes em fotografias coloridas que distribuiu sistematicamente em um bonito álbum de fotos.

​Depois de exatamente um ano da inusitada conversa com o personagem central de seu presépio particular, a velha senhora ouviu uma voz lhe chamar.

​– Mãe, ô mãe. Sou eu de novo. Seu filho. – Disse o menino Jesus do presépio em voz leve e carinhosa.

​A velha se emocionou novamente. Pegou a imagem nas mãos e chorou.

​João pediu que ela lhe contasse tudo que havia acontecido no último ano, e sem querer frustrar a mãe, fingiu novamente ser o escolhido. Ela lhe disse tudo, falou sobre o pagamento da dívida, sobre a biblioteca, o vestido e os jantares, e sem apresentar o marido, contou-lhe sobre ele. Passaram a noite conversando, a velha e o menino Jesus de presépio, tagarela e avarento, que protestou um pouco com os gastos com os livros. Ao final da noite, João lhe disse que não voltaria mais, que nos próximos natais o menino do presépio não seria animado por nenhuma força sobrenatural, nem que ele precisasse pagar outras dívidas que porventura havia esquecido. E despediu-se com um fraterno obrigado.

​A mãe de João colocou o menino em seu lugar e beijou a faixa azul. Percebeu que tudo se quietara e que a singela voz, doce e meiga, sumira novamente. Lembrou-se do filho e deixou uma lágrima simples, brilhante e perfeitamente esférica precipitar-se de seu olho esquerdo, impulsionada pela gravidade natural e pela gravidade da perda do ente querido, até esparramar-se no rostinho do menino do presépio, banhando-o de forma providencial e emblemática. E recolheu-se para a cama realizada e tranquila.

​O vaporoso João contador, deixou reservado a sua faceta de demônio de Maxwell, atuante e manipulador, flutuando já saudoso por causa da mãe. Planou no espaço da sala e contemplou tudo ao redor. Percebeu que mesmo com sua consistência pífia não precisava desaparecer novamente. Verificou que a sua célula de confinamento poderia ser a região da sua antiga casa e preferiu este fim à prisão anterior, com muros altos de concreto. E preferiu ainda esta condição à de manipulador da imagem de barro, com a qual, mudou a política de comportamento da mãe. Voou fumegante através da janela da casa e foi para a rua para treinar os rasantes que faria posteriormente sobre a cabeça dos velhos amigos e dos inimigos de jogo.

Solemar Oliveira, físico e escritor, é colaborador do Jornal Opção.

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