Ricardo Ostetto formou-se em Farmácia, seguindo caminho diferente em relação ao restante da família, que já tinha negócios nas áreas da construção civil, transportes e floricultura em Mato Grosso do Sul. Com o diploma na mão, teve ajuda do pai para abrir uma drogaria numa esquina movimentada de Campo Grande. O imóvel ficava na esquina da Avenida Mato Grosso com a Rua 13 de Maio, no Centro. Um ponto atrativo por ficar próximo ao maior hospital da Capital e por ter sediado outra farmácia de uma rede que deixou o Estado anos mais tarde. Ricardo locou o espaço e montou nele a Drogaria Ostetto, em março de 2006. O sobrenome, já usado nas empresas dos outros ramos que a família tem, foi continuado no negócio da área da saúde. Os primeiros anos foram difíceis para as vendas, principalmente porque grandes redes asfixiaram as farmácias independentes, como era o caso da Ostetto. “Comecei a perceber que as menores iam bem nos bairros, mas no Centro, o pessoal era mais fã de rede”, ele lembra. A essa altura, o farmacêutico já sentia o peso de ter que passar muito tempo no local devido à exigência legal de manter um responsável técnico na farmácia durante todo o período em que estivesse aberta. Na vida pessoal, as coisas haviam mudado um pouco antes, com o casamento com a zootecnista Amabily Cardoso Dias Ostetto e o nascimento do primeiro filho do casal. Medo de sair da esquina O mercado de medicamentos estava saturado para a Ostetto e Ricardo decidiu procurar ajuda. Numa consultoria paga para o negócio, há cerca de cinco anos, foi aconselhado a incluir produtos ortopédicos e suplementos alimentares nas prateleiras, seguindo a vocação comercial da região próxima ao hospital. Amabily já havia pausado o plano de fazer doutorado para se dedicar à maternidade e trabalhar com o marido na drogaria, naquela época. Em meio a isso, o casal comprou um prédio na Rua 13 de Junho, a poucos metros do imóvel alugado onde funcionava a Ostetto. Decidiram mudar-se. Deu medo de sair da esquina que consolidou e continuava ajudando na visibilidade da empresa. “A gente resistiu muito tempo, mas quando mudamos, parece que todo mundo veio com a gente”, conta o empresário. Inspiração em SP Durante viagens a São Paulo (SP), Amabily se inspirava num modelo de loja que ainda não via em Campo Grande. “Íamos a grandes lojas e tinha autoatendimento, que fazia parecer um supermercado de suplementos e de outros produtos. Legal porque o cliente se sentia à vontade para pegar o produto, ler o rótulo e procurar o que queria”, descreve a sócia da Ostetto. A ideia era fazer algo parecido no novo prédio. “No primeiro, não tinha muito espaço para isso. Surgiu a oportunidade de criar no nosso prédio”, continua Amabily. Sem remédios Pouco tempo após a mudança, os responsáveis retiraram totalmente os medicamentos do estoque e a loja voltou-se exclusivamente ao mercado fitness. Era uma das poucas de Campo Grande que vendia apenas produtos no ramo. Antes dessa transição, o casal abriu uma segunda unidade na Avenida Tamandaré, no Bairro São Francisco. Funcionou como um teste: a loja dois vendia apenas suplementos e produtos esportivos, se sustentando assim. A migração para o mercado fitness feita pela Ostetto ocorreu antes da pandemia de covid-19 e do boom de influência da vida saudável nas redes sociais. Sem imaginar, o casal acabou adiantando-se a uma tendência de mercado que hoje movimenta bilhões anualmente no Brasil. Atentos às redes e parcerias Amabily acabou mudando de vez de área enquanto a Ostetto crescia. Está perto de se formar em Nutrição. Os novos conhecimentos a ajudam a ficar atenta à qualidade dos produtos e a curiosidade leva a buscar as novidades no mundo fitness e trazer para a loja. "Eu sou muito ligada às redes sociais, o Ricardo é menos. Eu quem falo: ó, o 'povo' está comentando demais sobre esse produto aqui, vamos trazer para a loja'. Hoje, somos referências em marcas e vendemos muito o que está hypado", conta a futura nutricionista. Outra estratégia adotada é fazer parcerias com consultórios, assim, grande parte dos clientes já chega na loja com receitas e indicações. Os vendedores complementam o atendimento auxiliando na escolha, explica o casal. Influência A transição para o mercado fitness também acompanhou a busca da família por viver de forma saudável. A filha de Ricardo e Amabily hoje tem 15 anos, e pensa em seguir carreira relacionada ao trabalho dos pais. "Ela quer ser médica. E, com certeza, a empresa tem influência no que ela quer e no estilo de vida que nós levamos hoje", finaliza a empresária.