Experimento paga cerca de R$ 30 mil para voluntários ficarem deitados por dez dias
Um estudo internacional na área de medicina espacial está recrutando voluntários para um experimento que simula, em Terra, os efeitos da microgravidade no corpo humano. A proposta é simples no enunciado, e exigente na prática: passar dez dias em repouso absoluto, sem se levantar. Em troca, os participantes recebem cerca de 5 mil euros, valor que gira em torno de R$ 30 mil.
A pesquisa será realizada em Toulouse, na França, pelo Instituto de Medicina e Fisiologia Espacial, com participação da agência espacial francesa e do Centro Nacional de Estudos Aeroespaciais. O objetivo é observar como sistemas essenciais do organismo, como músculos, ossos, circulação e funções neurológicas, reagem quando o corpo deixa de enfrentar a gravidade de forma habitual, cenário típico de missões espaciais.
O protocolo prevê 20 dias de internação. A primeira etapa é a mais rígida: dez dias totalmente deitados, em posição específica e com leve inclinação, método já usado em estudos que servem de base para a preparação de astronautas. Depois, há mais dez dias dedicados ao acompanhamento, adaptação e recuperação monitorada. A dieta também é controlada, com ingestão diária limitada a 2.500 calorias e supervisão médica constante.
O instituto busca 12 homens saudáveis, entre 20 e 40 anos, e adota uma seleção bastante criteriosa. Entre os requisitos, estão: não fumar, ter IMC entre 20 e 26, medir entre 1,65 m e 1,85 m, praticar atividade física regularmente e não apresentar histórico de alergias ou restrições alimentares. O candidato também precisa estar vinculado ao sistema europeu de seguridade social e ter bom domínio do francês, já que toda a rotina, orientações e avaliações são conduzidas no idioma.
Antes da fase principal, os interessados passam por uma triagem que envolve entrevistas e exames médicos em Toulouse, iniciada em fevereiro. E o monitoramento não termina com a alta: depois do período de internação, os voluntários ainda serão acompanhados por três meses, para observar efeitos tardios e eventuais impactos no médio prazo.
Durante o experimento, equipes de pesquisadores acompanham de perto as alterações do corpo. O pacote de avaliações inclui testes neurológicos, musculares, cardiovasculares e ósseos, além de análises de sangue e urina. Também estão previstas avaliações psicológicas e oftalmológicas, já que mudanças na circulação e na pressão podem afetar o humor e a visão em condições semelhantes às do ambiente espacial.
A expectativa é que os dados ajudem a aprimorar estratégias de proteção à saúde de astronautas em missões longas, como viagens para a Lua ou Marte, quando problemas médicos podem surgir longe de qualquer suporte hospitalar. Ao mesmo tempo, os resultados podem ampliar o entendimento sobre como o organismo reage à imobilidade e à perda de carga nos ossos e músculos, um conhecimento que também interessa à medicina em situações de internação prolongada na Terra.
Leia também
Experimento vai testar resiliência da floresta Amazônica diante das mudanças climáticas
O post Experimento paga cerca de R$ 30 mil para voluntários ficarem deitados por dez dias apareceu primeiro em Jornal Opção.